HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2024
Paciente de 54 anos portador de doença arterial periférica com claudicação intermitente, de diabetes , tabagista ativo com carga tabágica de 40 anos-maço e com placa de 70% em carótidas em um doppler realizado há 2 anos procura consulta médica para orientações. Nesse momento está em uso de AAS 100mg, Rivaroxabana 2,5mg a cada 12 horas, Metformina 1g a cada 12 horas, Rosuvastatina 40mg, Enalapril 20mg a cada 12 horas. Eletrocardiograma em ritmo sinusal e ecocardiograma com fração de ejeção de 45%.Ao avaliar o perfil glicêmico do paciente ele apresenta uma Hemoglobina Glicada de 8,2 % com uma glicemia de jejum de 138 mg/dL. Qual a conduta mais adequada?
DM2 + IC (FE < 50%) ou Doença Vascular → iSGLT2 (Dapagliflozina) é a prioridade terapêutica.
Em pacientes com DM2 e alto risco cardiovascular ou IC, os iSGLT2 reduzem hospitalização e mortalidade, independentemente do controle glicêmico isolado.
O tratamento moderno do Diabetes Mellitus tipo 2 mudou o foco do controle puramente glicocêntrico para a proteção de órgãos-alvo. Pacientes com Insuficiência Cardíaca (mesmo com FE preservada ou levemente reduzida) e Doença Vascular estabelecida se beneficiam prioritariamente dos inibidores do SGLT2. A Dapagliflozina atua no túbulo contorcido proximal promovendo glicosúria e natriurese. Esse efeito diurético osmótico reduz a pré e pós-carga cardíaca, além de melhorar o metabolismo energético do miocárdio, o que explica sua eficácia na redução de desfechos duros em pacientes com insuficiência cardíaca, independentemente da presença de diabetes.
O paciente apresenta DM2 descompensado (HbA1c 8,2%) associado a Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção levemente reduzida (45%) e Doença Arterial Periférica. Os inibidores de SGLT2, como a Dapagliflozina, demonstraram em grandes ensaios clínicos reduzir hospitalizações por IC e eventos cardiovasculares maiores nesses perfis de alto risco.
Esta é a chamada 'dose vascular', que, quando associada ao AAS, demonstrou no estudo COMPASS reduzir eventos isquêmicos maiores (MACE) e eventos adversos maiores em membros (MALE), como amputações, em pacientes com doença arterial coronariana ou periférica estável.
Para um paciente de 54 anos, com múltiplas comorbidades mas ainda funcionalmente ativo, a meta de HbA1c geralmente situa-se em torno de 7,0%. Com um valor de 8,2%, há necessidade clara de intensificação terapêutica, priorizando drogas que ofereçam proteção renal e cardiovascular simultânea.
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