UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Paciente, com 7 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal para apresentar resultados dos exames de rotina. Todos os exames se encontram dentro da normalidade, com exceção da glicemia de jejum que era de 182. O médico solicita nova glicemia de jejum e hemoglobina glicada, cujos resultados foram, respectivamente, 194 e 12. A partir desse momento, foi instituída insulinoterapia e orientações dietéticas, além de exercícios físicos. A complicação que poderá ser encontrada, mesmo com controle glicêmico rigoroso, a partir desse momento, é:
Diabetes pré-gestacional (DMG prévio) no 1º trimestre → alto risco de malformações congênitas, mesmo com controle.
O diagnóstico de diabetes com glicemia de jejum > 126 mg/dL ou HbA1c > 6,5% no primeiro trimestre indica diabetes pré-gestacional. As malformações congênitas ocorrem devido à teratogenicidade da hiperglicemia no período da organogênese (primeiras 8-10 semanas), antes mesmo do diagnóstico ou início do tratamento.
O diabetes mellitus pré-gestacional (DMG prévio) é uma condição em que a mulher já possui diabetes antes de engravidar. Seu diagnóstico no primeiro trimestre é crucial, sendo caracterizado por glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5%. A prevalência de diabetes na gravidez tem aumentado, e o reconhecimento precoce é vital para a saúde materno-fetal. A fisiopatologia das malformações congênitas no diabetes pré-gestacional está ligada à teratogenicidade da hiperglicemia durante a organogênese, período crítico de formação dos órgãos fetais, que ocorre nas primeiras 8 a 10 semanas de gestação. Níveis elevados de glicose e seus metabólitos podem induzir estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e alterações na expressão gênica, levando a defeitos no desenvolvimento embrionário. Por isso, mesmo com um controle glicêmico rigoroso instituído após o diagnóstico, o risco de malformações já pode estar estabelecido. O tratamento do diabetes pré-gestacional envolve insulinoterapia, dieta balanceada e exercícios físicos, com o objetivo de manter um controle glicêmico estrito antes e durante toda a gestação. No entanto, é fundamental que o planejamento da gravidez inclua a otimização do controle glicêmico pré-concepcional para minimizar o risco de embriopatia diabética. O prognóstico fetal é diretamente influenciado pela qualidade do controle glicêmico desde antes da concepção.
As malformações mais comuns incluem defeitos do tubo neural (anencefalia, espinha bífida), cardiopatias congênitas (transposição de grandes artérias, defeitos do septo), agenesia renal e síndrome da regressão caudal.
As malformações ocorrem durante a organogênese, nas primeiras 8-10 semanas de gestação. Se a hiperglicemia já estava presente nesse período, o dano teratogênico pode já ter sido estabelecido antes mesmo do diagnóstico e início do tratamento.
O diabetes pré-gestacional está associado a um risco significativamente maior de malformações congênitas e aborto espontâneo devido à hiperglicemia no primeiro trimestre. O diabetes gestacional, por sua vez, está mais relacionado a complicações como macrossomia, hipoglicemia neonatal e icterícia, que ocorrem no segundo e terceiro trimestres.
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