Diabetes Pré-Gestacional: Diagnóstico e Manejo na Gravidez

UNCISAL - Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas — Prova 2021

Enunciado

G₂P₁CA₀, obesa, com 10 semanas de gestação traz exames de rotina apresentando Glicemia de Jejum de 140 mg/dl e HbAc1 de 12%. Refere diabetes gestacional em gravidez anterior. Assinale a opção CORRETA.

Alternativas

  1. A) Trata-se de um quadro de diabetes gestacional e deve-se iniciar tratamento medicamentoso.
  2. B) Trata-se de um quadro de diabetes gestacional e deve-se iniciar tratamento não medicamentoso.
  3. C) Não se trata de diabetes, sendo necessário prosseguir investigação com TOTG 75g de glicose com 24 semanas de gestação.
  4. D) Trata-se de um quadro de diabetes mellitus instalado previamente à gestação.
  5. E) Trata-se de um quadro de diabetes mellitus e a hemoglobina glicada de 12% não demonstra possibilidade de riscos fetais para cardiopatias estruturais.

Pérola Clínica

Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL OU HbA1c ≥ 6,5% no 1º trimestre = Diabetes Mellitus pré-gestacional.

Resumo-Chave

Valores de glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5% (ou glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas) confirmam diabetes mellitus pré-gestacional quando diagnosticados no primeiro trimestre da gravidez, antes das 24 semanas.

Contexto Educacional

O diagnóstico de diabetes na gravidez é crucial para o manejo adequado e a prevenção de complicações maternas e fetais. É fundamental diferenciar o diabetes mellitus pré-gestacional (DMPG) do diabetes gestacional (DMG). O DMPG refere-se ao diabetes que já existia antes da gravidez ou que é diagnosticado no primeiro trimestre, utilizando os mesmos critérios diagnósticos de diabetes fora da gestação. Os critérios para DMPG incluem glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 6,5%, glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos de hiperglicemia, ou glicemia de 2 horas no teste oral de tolerância à glicose (TOTG) ≥ 200 mg/dL. No caso da questão, a paciente com 10 semanas de gestação e glicemia de jejum de 140 mg/dL e HbA1c de 12% preenche claramente os critérios para DMPG. O manejo do DMPG é intensivo e deve começar o mais cedo possível, visando o controle glicêmico rigoroso para minimizar os riscos de malformações congênitas (especialmente cardiopatias estruturais, que são mais elevadas com HbA1c > 10%), aborto espontâneo, macrossomia, pré-eclâmpsia e outras complicações. O tratamento geralmente envolve dieta, exercícios e insulinoterapia, com monitoramento frequente da glicemia.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para diagnosticar diabetes pré-gestacional?

O diabetes pré-gestacional é diagnosticado na gravidez se a glicemia de jejum for ≥ 126 mg/dL, ou HbA1c ≥ 6,5%, ou glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, ou TOTG com 2h ≥ 200 mg/dL, antes das 24 semanas.

Qual a diferença entre diabetes pré-gestacional e gestacional?

O diabetes pré-gestacional é um diabetes já existente antes da gravidez ou diagnosticado no primeiro trimestre, enquanto o diabetes gestacional é diagnosticado pela primeira vez na gravidez, geralmente após 24 semanas.

Quais os riscos fetais do diabetes pré-gestacional?

O diabetes pré-gestacional mal controlado aumenta o risco de malformações congênitas (especialmente cardíacas e do tubo neural), macrossomia, restrição de crescimento intrauterino, prematuridade e complicações neonatais.

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