INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma gestante com 37 anos de idade, com gravidez de 8 semanas confirmada por ultrassonografia realizada há uma semana, comparece à Unidade Básica de Saúde para iniciar acompanhamento pré-natal. Como antecedentes familiares, cita o pai e a mãe como portadores de diabetes melito, ambos em tratamento com hipoglicemiantes orais. A paciente apresenta resultados de glicemia de jejum de 180 mg/dL em duas dosagens realizadas em dias diferentes. Nesse caso clínico, a conduta indicada é:
Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL na 1ª consulta = Diabetes Mellitus pré-gestacional → Insulinoterapia se hiperglicemia grave.
Pacientes com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL no início da gestação são classificadas como portadoras de Diabetes Mellitus pré-existente (Overt Diabetes), exigindo controle rigoroso.
O diagnóstico de diabetes no início da gestação é um marco crítico para o prognóstico fetal. Valores de glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL classificam a paciente como Diabetes Gestacional precoce, enquanto valores ≥ 126 mg/dL indicam Diabetes Pré-gestacional. A fisiopatologia envolve a resistência insulínica exacerbada pelos hormônios placentários, mas no primeiro trimestre, a hiperglicemia reflete uma condição prévia à gravidez. O manejo clínico deve ser agressivo quando os níveis ultrapassam as metas terapêuticas. A insulinoterapia é preferida pela segurança e eficácia no controle glicêmico rigoroso, necessário para prevenir malformações (especialmente cardíacas e do tubo neural) e macrossomia fetal. O acompanhamento deve incluir avaliação de órgãos-alvo, como fundoscopia e função renal, devido ao caráter pré-existente da doença.
O Diabetes Pré-gestacional (Overt Diabetes) é diagnosticado quando os critérios de DM tipo 2 são preenchidos logo na primeira consulta de pré-natal (antes de 24 semanas), como glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5%. Já o Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é diagnosticado tipicamente entre 24-28 semanas através do TOTG 75g, com valores de corte inferiores (Jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153 mg/dL).
A paciente apresenta glicemias de jejum muito elevadas (180 mg/dL), o que caracteriza um descontrole metabólico grave para o período gestacional. Em casos de 'Overt Diabetes' com níveis glicêmicos significativamente alterados já no diagnóstico, a insulinoterapia é a conduta de escolha imediata para reduzir riscos teratogênicos e complicações materno-fetais, superando a eficácia de hipoglicemiantes orais no curto prazo.
Embora a metformina seja utilizada em alguns contextos (como SOP), a insulina continua sendo o padrão-ouro na gestação por não atravessar a barreira placentária e permitir um ajuste fino e rápido das doses. Sulfonilureias são geralmente evitadas devido ao risco de hipoglicemia fetal e potenciais efeitos teratogênicos, embora estudos mais recentes discutam a glibenclamida em contextos específicos.
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