SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Uma paciente de 67 anos de idade, diabética há 10 anos, compareceu à consulta de rotina. Ela usa metformina 850 mg duas vezes ao dia e relatou episódios ocasionais de hipoglicemia leve no final da tarde. Os exames mostraram HbA1c = 6,3%, creatinina normal e IMC = 26 kg/m². Referiu que mora sozinha e tem dificuldade em manter alimentação regular. Qual deve ser a prioridade do médico de família nessa consulta?
HbA1c < 7% em idosos com risco de hipoglicemia ou comorbidades → ↑ Risco cardiovascular e quedas.
Em idosos com controle glicêmico estrito (HbA1c 6,3%) e episódios de hipoglicemia, a prioridade é a segurança, ajustando metas para evitar eventos adversos e revisando o estilo de vida.
O tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2 no idoso deve ser guiado pela funcionalidade e expectativa de vida, fugindo do modelo 'one size fits all'. A American Diabetes Association (ADA) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomendam que, em pacientes com risco de hipoglicemia, as metas sejam menos rigorosas. A hipoglicemia no idoso é particularmente perigosa, associando-se a arritmias, infarto agudo do miocárdio, declínio cognitivo e fraturas por quedas. Neste caso clínico, a paciente já apresenta uma HbA1c de 6,3%, o que é considerado um controle excelente, porém perigoso se acompanhado de sintomas de hipoglicemia. A prioridade do Médico de Família deve ser a avaliação multidimensional, focando no planejamento alimentar (já que ela tem dificuldade em manter alimentação regular) e no ajuste das metas individuais para garantir que o controle glicêmico não comprometa a segurança da paciente.
Para idosos funcionalmente independentes e com poucas comorbidades, a meta de HbA1c geralmente situa-se entre 7,0% e 7,5%. No entanto, se o paciente apresenta episódios de hipoglicemia, mesmo com HbA1c dentro da meta, as condutas devem ser revistas para priorizar a segurança, possivelmente aceitando níveis ligeiramente superiores para evitar quedas e eventos cardiovasculares agudos.
A metformina é uma droga sensibilizadora da insulina e, isoladamente, apresenta baixo risco de hipoglicemia pois não estimula a secreção de insulina. Contudo, em pacientes idosos com alimentação irregular, desidratação ou em uso concomitante de outros fármacos, podem ocorrer episódios de mal-estar que o paciente identifica como hipoglicemia, exigindo ajuste dietético e educacional.
Idosos que moram sozinhos possuem maior vulnerabilidade social e risco aumentado de complicações por hipoglicemia não assistida. O planejamento terapêutico deve considerar a capacidade de preparo de refeições, suporte familiar e a simplificação de esquemas posológicos para garantir a adesão e segurança do paciente.
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