DMG: Rastreio, Diagnóstico e Fisiopatologia na Gestação

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2020

Enunciado

Estima-se que no Brasil a prevalência de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) no Sistema Único de Saúde (SUS) seja de aproximadamente 18% quando utilizados os critérios diagnósticos atualmente propostos pela literatura. Considerando a importância de DMG, NÃO PODEMOS AFIRMAR:

Alternativas

  1. A) O cortisol, hormônio produzido pela placenta, pode promover redução da atuação da insulina.
  2. B) Doença cardiovascular aterosclerótica é considerada fator de risco para hiperglicemia na gravidez.
  3. C) No rastreio do DMG é recomendado realizar a glicemia de jejum antes de 20 semanas e, independente do resultado, prosseguir com a solicitação do TOTG 75g entre 24ª a 28º semanas de gestação em todas as gestantes.
  4. D) O achado de glicemia de jejum antes de 20 semanas de gestação entre 92 a 126mg/dl confirma o diagnóstico de DMG.

Pérola Clínica

DMG: Glicemia de jejum > 126 mg/dL antes de 20 semanas ou > 92 mg/dL em 24-28 semanas confirma o diagnóstico.

Resumo-Chave

O rastreio do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) envolve a glicemia de jejum no início da gestação e o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG 75g) entre 24 e 28 semanas. Se a glicemia de jejum inicial já estiver alterada (≥ 92 mg/dL), o diagnóstico de DMG pode ser feito, e o TOTG 75g pode não ser necessário ou ter um papel diferente.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é definido como qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gravidez. Sua prevalência é significativa e o diagnóstico e manejo adequados são cruciais para prevenir complicações maternas e fetais, como macrossomia, pré-eclâmpsia e hipoglicemia neonatal. A fisiopatologia envolve a resistência à insulina induzida por hormônios placentários, como o cortisol e o lactogênio placentário. O rastreio do DMG é um ponto fundamental na assistência pré-natal. Recomenda-se a realização de uma glicemia de jejum na primeira consulta pré-natal (antes de 20 semanas). Se este exame já apresentar valores entre 92 e 125 mg/dL, o diagnóstico de DMG já pode ser confirmado. Se a glicemia de jejum inicial for normal (< 92 mg/dL), o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g de glicose é realizado entre 24ª e 28ª semanas de gestação. É incorreto afirmar que o TOTG 75g deve ser solicitado em todas as gestantes, independente do resultado da glicemia de jejum antes de 20 semanas. Se a glicemia de jejum inicial já confirma o DMG, o TOTG 75g não é necessário. O manejo do DMG envolve dieta, exercícios e, se necessário, insulinoterapia, visando manter a glicemia em níveis adequados para garantir a saúde materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)?

O diagnóstico de DMG pode ser feito se a glicemia de jejum antes de 20 semanas for ≥ 92 mg/dL. Se normal, o TOTG 75g é realizado entre 24-28 semanas, sendo positivo se um dos valores for alterado: jejum ≥ 92 mg/dL, 1h ≥ 180 mg/dL ou 2h ≥ 153 mg/dL.

Por que o cortisol placentário pode influenciar o desenvolvimento de DMG?

O cortisol, produzido em maior quantidade pela placenta durante a gestação, é um hormônio contra-regulador da insulina. Ele pode induzir resistência à insulina nos tecidos maternos, contribuindo para a hiperglicemia e o desenvolvimento de Diabetes Mellitus Gestacional em gestantes suscetíveis.

Quais os fatores de risco para o desenvolvimento de Diabetes Mellitus Gestacional?

Fatores de risco incluem idade materna avançada, obesidade, história familiar de diabetes, DMG em gestação anterior, macrossomia fetal prévia, síndrome dos ovários policísticos e doença cardiovascular aterosclerótica. O rastreio é universal, mas esses fatores aumentam a probabilidade.

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