Diagnóstico de Diabetes Gestacional: Critérios SBD 2025

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2026

Enunciado

Gestante de 29 anos, IMC pré-gestacional de 26 kg/m², com 9 semanas de gestação, apresenta glicemia de jejum colhida após 8 horas de jejum, de 94 mg/dL e hemoglobina glicada (hbA1c) de 5,8%. Não há antecedentes de diabetes nem sintomas. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2025 para rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação, qual é a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Classificar como diabetes gestacional e iniciar tratamento não medicamentoso, com automonitorização diária das glicemias. (DM não diagnosticado anteriormente).
  2. B) Programar teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75 g de dextrosol na 24-28ª semana de gestação.
  3. C) Repetir a glicemia em nova coleta com 12 horas de jejum antes de decidir por qualquer intervenção terapêutica.
  4. D) Solicitar curva glicêmica, pois devido aos vieses de interpretação a HbA1c não é utilizada para diagnóstico na gestação.

Pérola Clínica

Glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL no 1º trimestre = Diabetes Gestacional (SBD 2025).

Resumo-Chave

Segundo a SBD 2025, uma glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL em qualquer fase da gestação confirma o diagnóstico de DMG, dispensando o TOTG posterior.

Contexto Educacional

O rastreamento da hiperglicemia na gestação é universal e deve ser iniciado na primeira consulta de pré-natal. A mudança nos critérios diagnósticos visa identificar precocemente mulheres com risco metabólico aumentado. A fisiopatologia do DMG envolve o aumento de hormônios contrainsulínicos produzidos pela placenta (como o lactogênio placentário), que exacerbam a resistência à insulina materna. O diagnóstico precoce no primeiro trimestre permite intervenções que melhoram significativamente o desfecho perinatal. É fundamental diferenciar o DMG do diabetes pré-existente não diagnosticado, pois este último carrega riscos maiores de malformações congênitas.

Perguntas Frequentes

Qual o valor da glicemia de jejum para diagnóstico de DMG?

De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) 2025, uma glicemia de jejum entre 92 mg/dL e 125 mg/dL, realizada no início da gestação, é diagnóstica de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG). Se o valor for ≥ 126 mg/dL, a paciente é classificada como 'Diabetes Mellitus diagnosticado na gestação' (anteriormente chamado de overt diabetes).

A Hemoglobina Glicada (HbA1c) pode ser usada no diagnóstico de DMG?

Embora a HbA1c possa ser solicitada, ela não é o critério primário para diagnóstico de DMG na gestação devido a alterações fisiológicas que afetam a meia-vida das hemácias. No entanto, uma HbA1c ≥ 5,9% em conjunto com a glicemia reforça o estado hiperglicêmico, mas o diagnóstico clínico baseia-se prioritariamente na glicemia de jejum ou no TOTG.

Qual a conduta inicial após o diagnóstico de DMG?

A conduta inicial envolve terapia nutricional medicamentosa (dieta), estímulo à atividade física supervisionada e automonitorização glicêmica capilar (pré e pós-prandiais). O objetivo é manter o controle glicêmico rigoroso para reduzir riscos de macrossomia fetal, pré-eclâmpsia e complicações neonatais. O tratamento farmacológico (insulina) é reservado para casos sem controle após 1-2 semanas de medidas não farmacológicas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo