Diabetes Gestacional: Rastreamento e Critérios Diagnósticos

SUS-RR - Sistema Único de Saúde de Roraima — Prova 2021

Enunciado

Diabetes mellitus gestacional é uma alteração no metabolismo dos carboidratos, resultando em hiperglicemia de intensidade variável, que é diagnosticada pela primeira vez ou se inicia durante a gestação, podendo ou não persistir após o parto. Portanto, em relação à diabetes mellitus gestacional é correto, exceto:

Alternativas

  1. A) O rastreamento para diabetes mellitus gestacional deve ser oferecido a toda gestante durante o pré-natal.
  2. B) O exame deve ser oferecido na primeira consulta e/ou em 24 a 28 semanas de gestação.
  3. C) A maioria das gestantes com diagnóstico do diabetes não responde somente à dieta e aos exercícios físicos e uso de qualquer tipo de adoçantes artificiais é contraindicado, portanto, o médico deve iniciar o tratamento farmacológico o mais precocemente possível.
  4. D) A OMS recomenda o emprego do mesmo teste indicado para o diagnóstico do diabetes fora da gestação (nos casos de intolerância à glicose): teste oral de tolerância à glicose, com 75g de glicose (TTG 75g - 2h) e com duas medidas da glicose plasmática, uma em jejum e outra 2h após a sobrecarga.

Pérola Clínica

DMG: Rastreamento universal, TTG 75g com 3 medidas (jejum, 1h, 2h) é padrão OMS/IADPSG.

Resumo-Chave

A OMS, seguindo o consenso IADPSG, recomenda o TTG 75g com TRÊS medidas (jejum, 1 hora e 2 horas após a sobrecarga) para o diagnóstico de DMG, e não apenas duas medidas como no diagnóstico de diabetes fora da gestação. Além disso, a maioria das gestantes com DMG responde à dieta e exercícios, e o uso de adoçantes artificiais não é totalmente contraindicado, mas deve ser moderado.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é uma condição metabólica que afeta um número significativo de gestações, com prevalência crescente. É definido como qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gravidez. Sua importância clínica reside nos riscos maternos (pré-eclâmpsia, cesariana) e fetais (macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, síndrome do desconforto respiratório, obesidade e diabetes tipo 2 na vida adulta). O rastreamento universal é recomendado para identificar precocemente as gestantes em risco. O diagnóstico do DMG é um ponto crucial e tem sido objeto de diferentes consensos. A Organização Mundial da Saúde (OMS), seguindo as recomendações do International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups (IADPSG), preconiza o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TTG) com 75g de glicose e três medidas (em jejum, 1 hora e 2 horas após a sobrecarga) para o diagnóstico entre 24 e 28 semanas de gestação. Os valores de corte são mais baixos do que para o diabetes fora da gestação, e apenas um valor alterado já é suficiente para o diagnóstico. Em relação ao tratamento, a primeira linha é sempre a terapia nutricional e a prática de atividade física regular. A maioria das gestantes responde bem a essas medidas. O uso de adoçantes artificiais não é totalmente contraindicado, mas deve ser com moderação e sob orientação. O tratamento farmacológico, geralmente com insulina, é indicado apenas se as metas glicêmicas não forem atingidas após 1 a 2 semanas de intervenção no estilo de vida. É fundamental que residentes compreendam esses critérios e abordagens para um manejo adequado do DMG.

Perguntas Frequentes

Quando o rastreamento para Diabetes Mellitus Gestacional deve ser feito?

O rastreamento deve ser oferecido a todas as gestantes na primeira consulta pré-natal e, se negativo, repetido entre 24 e 28 semanas de gestação, com o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TTG) 75g.

Quais são os critérios diagnósticos para DMG segundo a OMS/IADPSG?

O diagnóstico é feito com TTG 75g (2h) com três medidas: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL, 2 horas ≥ 153 mg/dL. Um único valor alterado já é suficiente para o diagnóstico de DMG.

A maioria das gestantes com DMG precisa de tratamento farmacológico?

Não, a maioria das gestantes com DMG consegue controlar a glicemia apenas com dieta e exercícios físicos. O tratamento farmacológico (geralmente insulina) é iniciado se as metas glicêmicas não forem atingidas com as medidas não farmacológicas.

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