PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020
Marilia, gestante de 23 anos, realizou coleta de exames laboratoriais com 8 semanas para sua primeira bateria de exames de rotina no pré-natal. A glicemia de jejum mostrou resultado de 92 mg/dL, sendo repetido o exame e confirmado o resultado.Conforme o protocolo Rede Mãe Curitibana de Assistência ao pré-natal, parto e puerpério de 2019, é CORRETO afirmar:
Glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL na gestação = DMG; não necessita TOTG 24-28 semanas.
De acordo com muitos protocolos atuais, incluindo o mencionado, uma glicemia de jejum de 92 mg/dL ou mais, confirmada em gestantes, já estabelece o diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) precoce. Nesses casos, o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) entre 24 e 28 semanas não é necessário, e o foco deve ser no controle glicêmico imediato.
O rastreamento e diagnóstico do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) são componentes cruciais do pré-natal, visando prevenir complicações maternas e fetais. Para residentes, é fundamental dominar os critérios diagnósticos, que podem variar ligeiramente entre protocolos, mas que geralmente convergem para a importância da glicemia de jejum no início da gestação. Uma glicemia de jejum de 92 mg/dL ou mais, confirmada, já é considerada diagnóstica de DMG precoce por muitas diretrizes, incluindo o protocolo da Rede Mãe Curitibana. A fisiopatologia do DMG envolve a incapacidade do pâncreas materno de produzir insulina suficiente para compensar a resistência à insulina fisiológica da gestação, exacerbada por hormônios placentários. O diagnóstico precoce é vital porque a hiperglicemia materna, mesmo em níveis moderados, pode ter efeitos deletérios no desenvolvimento fetal desde as primeiras semanas. Portanto, a identificação do DMG no primeiro trimestre permite iniciar o controle glicêmico mais cedo, minimizando riscos. O tratamento do DMG inicia-se com mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios), e se as metas glicêmicas não forem atingidas, a insulinoterapia é indicada. O prognóstico materno e fetal melhora significativamente com o controle glicêmico rigoroso. É um erro comum esperar o TOTG entre 24 e 28 semanas se a glicemia de jejum inicial já é diagnóstica, pois isso atrasa o tratamento. Pacientes com cirurgia bariátrica têm um perfil metabólico alterado e podem necessitar de rastreamento diferenciado, mas a regra geral para glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL permanece para o diagnóstico precoce de DMG.
De acordo com protocolos como o da Rede Mãe Curitibana (e diretrizes internacionais), uma glicemia de jejum igual ou superior a 92 mg/dL, confirmada em duas amostras, no primeiro trimestre ou início do segundo, já é suficiente para diagnosticar Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) precoce.
Não. Se o diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional já foi estabelecido por uma glicemia de jejum alterada no início da gestação (≥ 92 mg/dL), não há necessidade de realizar o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) entre 24 e 28 semanas. O foco deve ser no início imediato do controle glicêmico.
O não diagnóstico e tratamento adequado do DMG, especialmente quando precoce, aumenta os riscos de complicações maternas como pré-eclâmpsia e parto prematuro, e fetais como macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, síndrome do desconforto respiratório e maior risco de obesidade e diabetes tipo 2 na vida adulta do filho.
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