Diabetes Gestacional: Diagnóstico e Conduta Inicial Correta

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Gestante, 25 anos, primigesta com exames de rotina de pré-natal sem alterações no primeiro trimestre, comparece à segunda consulta com 26 semanas de gestação. Não refere queixas e percebe movimentação fetal ativa. Os exames solicitados na consulta anterior e realizados há 15 dias revelam os seguintes resultados: Hb 12,0g/dL; Hct 36%; Leucócitos totais 11.000/mm³; VDRL não reator; Glicemia de jejum 91mg/dL; glicemia 1h após 75g de dextrosol 180mg/dL e 2h após 75g de dextrosol 150mg/dL. Assinale a conduta MAIS ADEQUADA para essa situação.

Alternativas

  1. A) Iniciar sulfato ferroso e ácido fólico profiláticos, repetir glicemia de jejum e solicitarnovo VDRL
  2. B) Iniciar sulfato ferroso e ácido fólico profiláticos; e solicitar exame de urina rotina
  3. C) Orientar dieta com restrição de carboidratos e solicitar o registro de glicemias capilares
  4. D) Repetir glicemia de jejum e solicitar dosagens de glicohemoglobina e de frutosamina

Pérola Clínica

Glicemia 1h TTGO ≥ 180 mg/dL OU 2h TTGO ≥ 153 mg/dL → Diagnóstico de DMG; iniciar dieta e monitoramento.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios diagnósticos para Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) com base no Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 75g realizado entre 24-28 semanas. Com uma glicemia de 1h de 180 mg/dL e 2h de 150 mg/dL, o diagnóstico é confirmado, e a conduta inicial mais adequada é a orientação dietética e o monitoramento das glicemias capilares.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é definido como qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gravidez. É uma condição comum, com prevalência crescente, e sua identificação e manejo adequados são cruciais para prevenir complicações maternas e fetais, como macrossomia, pré-eclâmpsia, parto prematuro e hipoglicemia neonatal. O rastreamento universal é recomendado entre 24 e 28 semanas de gestação. O diagnóstico de DMG é realizado principalmente pelo Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g de dextrosol. Os critérios diagnósticos, segundo a maioria das diretrizes (como a do Ministério da Saúde e a ACOG), são: glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL, glicemia 1 hora após 75g de dextrosol ≥ 180 mg/dL, ou glicemia 2 horas após 75g de dextrosol ≥ 153 mg/dL. A alteração de apenas um desses valores já é suficiente para confirmar o diagnóstico. No caso da paciente, a glicemia de 1h de 180 mg/dL é diagnóstica. A conduta inicial para o DMG é sempre a terapia nutricional, com orientação para uma dieta com restrição de carboidratos simples e controle calórico, além de incentivo à atividade física regular. O monitoramento das glicemias capilares (geralmente 4 a 7 vezes ao dia) é fundamental para avaliar a eficácia das mudanças no estilo de vida e para guiar a necessidade de iniciar insulinoterapia, caso as metas glicêmicas não sejam atingidas. A intervenção precoce e o controle rigoroso são essenciais para otimizar os resultados maternos e perinatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) pelo TOTG de 75g?

O diagnóstico de DMG é confirmado se um ou mais dos seguintes valores forem atingidos ou excedidos no TOTG de 75g, realizado entre 24 e 28 semanas: Glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL, Glicemia 1 hora ≥ 180 mg/dL, ou Glicemia 2 horas ≥ 153 mg/dL.

Qual a primeira linha de tratamento para o Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)?

A primeira linha de tratamento para o DMG é a terapia nutricional, com restrição de carboidratos simples e controle da ingestão calórica, aliada à prática de atividade física regular. O objetivo é manter as glicemias dentro das metas estabelecidas, e o monitoramento glicêmico capilar é fundamental.

Por que o monitoramento das glicemias capilares é tão importante na gestante com DMG?

O registro das glicemias capilares permite avaliar a resposta da gestante à dieta e ao exercício, identificar picos hiperglicêmicos e hipoglicêmicos, e guiar a necessidade de iniciar ou ajustar a terapia medicamentosa (insulina) caso as metas glicêmicas não sejam atingidas apenas com as mudanças no estilo de vida.

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