HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Gestante, 31 anos de idade, com 28 semanas de gestação, foi diagnosticada com diabetes melito gestacional controlado exclusivamente com dieta nas últimas 2 semanas. Apresenta os seguintes controles de glicemia capilar da última semana: - Jejum: 105 a 115 mg/dL - 1 hora após o café da manhã: 135 a 172 mg/dL - 1 hora após o almoço: 110 a 120 mg/dL - 1 hora após o jantar: 140 a 168 mg/dL A ecografia obstétrica recente mostra um peso fetal estimado no percentil 60. Com base nos dados apresentados, a conduta recomendada é:
DMG com glicemias elevadas pós-dieta → iniciar insulinoterapia para controle materno-fetal.
As metas glicêmicas na gestação são mais rigorosas. Glicemias persistentemente elevadas, mesmo com dieta, indicam falha do tratamento conservador e necessidade de insulinoterapia para prevenir complicações maternas e fetais, como macrossomia e pré-eclâmpsia.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é definido como qualquer grau de intolerância à glicose que se inicia ou é diagnosticado pela primeira vez durante a gestação. Afeta cerca de 10-20% das gestações e é uma condição de grande importância clínica devido aos riscos maternos e fetais associados, sendo crucial para a saúde materno-infantil. A fisiopatologia envolve a resistência à insulina induzida por hormônios placentários, que pode ser exacerbada em mulheres com fatores de risco. O diagnóstico é feito por rastreamento e teste de tolerância à glicose. A suspeita deve ocorrer quando há glicemias elevadas, mesmo que assintomáticas, ou fatores de risco como obesidade, histórico familiar de diabetes ou DMG prévio. O tratamento inicial do DMG é sempre a modificação do estilo de vida, com dieta e exercício físico. No entanto, se as metas glicêmicas não forem atingidas em 1-2 semanas, a insulinoterapia é a conduta de escolha, sendo a metformina e a glibenclamida opções limitadas e com menos evidências de segurança e eficácia a longo prazo na gestação. O controle rigoroso visa prevenir macrossomia, pré-eclâmpsia, parto prematuro e outras complicações.
As metas geralmente são: jejum < 95 mg/dL, 1 hora pós-prandial < 140 mg/dL e 2 horas pós-prandial < 120 mg/dL. Valores acima desses indicam controle inadequado e necessidade de intervenção.
Em alguns casos, as alterações hormonais da gestação causam resistência à insulina tão significativa que a dieta e o exercício não conseguem manter as glicemias dentro das metas, exigindo farmacoterapia.
As principais complicações incluem macrossomia fetal, hipoglicemia neonatal, icterícia, síndrome do desconforto respiratório, polidramnio e aumento do risco de malformações congênitas.
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