UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 35a, G1P0A0, idade gestacional=24 semanas, realizando pré-natal regularmente em Unidade Básica de Saúde. Antecedentes pessoais: nega doenças crônicas, tabagismo, etilismo ou uso de substâncias psicoativas. Em uso de ácido fólico e sulfato ferroso. Exame físico: IMC=35kg/m²; PA=120/72mmHg; FC=86bpm; altura uterina=26cm; membros inferiores=sem edema. Ultrassonografia obstétrica morfológica de rotina: feto no P97 de peso, presença de maior bolsão vertical (MBV)=10 mm.DIANTE DESTES ACHADOS, A CONDUTA É:
Obesidade + Feto GIG (P97) na USG de 24 semanas → Rastrear DMG (Curva Glicêmica) urgentemente.
A presença de obesidade materna, associada a um feto grande para a idade gestacional (P97) em ultrassonografia de rotina, mesmo com um volume de líquido amniótico normal, é um forte indicativo de risco para Diabetes Mellitus Gestacional (DMG). A conduta prioritária é realizar o rastreamento para DMG, que é tipicamente feito entre 24 e 28 semanas de gestação.
A gestação é um período de profundas alterações fisiológicas, e a identificação de riscos e complicações é crucial para a saúde materno-fetal. A Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é uma das condições mais comuns, definida como qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gravidez. Sua prevalência tem aumentado, em parte devido ao crescimento das taxas de obesidade. A DMG não controlada está associada a uma série de complicações, incluindo macrossomia fetal, polidrâmnio, pré-eclâmpsia, parto prematuro e maior risco de diabetes tipo 2 para a mãe no futuro.A fisiopatologia da DMG envolve uma resistência à insulina progressiva durante a gestação, exacerbada por fatores como a obesidade. O diagnóstico precoce é fundamental para permitir intervenções que minimizem os riscos. O rastreamento universal é recomendado para todas as gestantes, idealmente entre 24 e 28 semanas. No entanto, em pacientes com fatores de risco significativos, como obesidade e achados ultrassonográficos sugestivos (feto GIG, como P97), o rastreamento pode ser antecipado ou realizado com maior urgência.A conduta diante de achados como obesidade materna e feto grande para a idade gestacional (GIG) em 24 semanas é a imediata investigação de DMG. Isso geralmente envolve a realização do teste de tolerância à glicose oral (TTGO). Uma vez diagnosticada, o manejo da DMG inclui dieta e exercícios, monitoramento glicêmico rigoroso e, se necessário, terapia farmacológica com insulina ou hipoglicemiantes orais. O controle glicêmico adequado é essencial para prevenir as complicações maternas e fetais e garantir um desfecho gestacional favorável.
Os principais fatores de risco incluem obesidade materna, histórico familiar de diabetes, idade materna avançada (>35 anos), histórico de DMG em gestação anterior, macrossomia fetal em gestação prévia e síndrome dos ovários policísticos.
O rastreamento universal para DMG é geralmente realizado entre 24 e 28 semanas de gestação. O método mais comum é o teste de tolerância à glicose oral (TTGO) com 75g de glicose, após jejum, com dosagens de glicemia em jejum, 1 hora e 2 horas após a ingestão.
A macrossomia fetal (peso fetal estimado > P90 ou > 4000g ao nascer) é uma das complicações mais comuns e um forte indicador de DMG não controlada. O excesso de glicose materna atravessa a placenta, levando a hiperinsulinemia fetal, que estimula o crescimento e o acúmulo de gordura.
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