SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Gestante de 30 anos, G2P1A0, é atendida em primeira consulta de pré-natal, com idade gestacional calculada em 10 semanas. Ela trabalha como assistente administrativa, é casada e tem bom suporte familiar. A gestação anterior resultou em um recém-nascido de 3.850 g, nascido de parto vaginal. Atualmente, queixa-se de náuseas moderadas ao longo do dia, sem vômitos, e pirose leve, principalmente após o almoço. Peso pré-gestacional: 75 kg; IMC: 27,5 kg/m². Ao exame físico: pressão arterial: 118x76 mmHg; frequência cardíaca: 84 bpm; a altura uterina é compatível com a idade gestacional e os batimentos cardiofetais estão presentes e rítmicos. Exames atuais: hemograma: normal; tipagem sanguínea: grupo A/ Rh positivo; glicemia de jejum: 95 mg/dL; VDRL, anti-HIV e HBsAg: não reagentes; toxoplasmose: IgG reagente e IgM não reagente. Exame de urina e urocultura: normais. Seu cartão de vacina mostra esquema primário completo para difteria e Tétano (dT) na adolescência, com a última dose de reforço há 8 anos. Nesse momento, a conduta de escolha é:
Glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL no 1º trimestre = Diabetes Mellitus Gestacional (DMG).
O diagnóstico de DMG é estabelecido precocemente se a glicemia de jejum estiver entre 92 e 125 mg/dL. Valores ≥ 126 mg/dL classificam a paciente como 'Diabetes Mellitus pré-existente' (Overt Diabetes).
O diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) passou por mudanças significativas após o estudo HAPO, que demonstrou uma relação linear entre os níveis glicêmicos maternos e complicações neonatais. No Brasil, a triagem é universal e começa na primeira consulta com a glicemia de jejum. O diagnóstico precoce permite intervenções imediatas que reduzem a morbidade materno-fetal. É importante ressaltar que pacientes com DMG diagnosticado no primeiro trimestre possuem um risco metabólico maior e devem ser acompanhadas de perto. Embora o diagnóstico de DMG por si só não obrigue o encaminhamento imediato ao pré-natal de alto risco em todas as redes (muitas vezes manejado na atenção primária inicialmente), a falha no controle glicêmico com dieta ou a necessidade de insulina são indicações clássicas de acompanhamento especializado.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e o Ministério da Saúde, se a glicemia de jejum realizada no início da gestação (antes de 24 semanas) for ≥ 92 mg/dL e < 126 mg/dL, o diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) está estabelecido. Se o valor for < 92 mg/dL, a paciente é considerada normal no momento, mas deve realizar o TOTG-75g entre a 24ª e 28ª semana. Se o valor for ≥ 126 mg/dL, o diagnóstico é de Diabetes Mellitus pré-gestacional (Overt Diabetes).
O manejo inicial do DMG baseia-se em mudanças no estilo de vida (MEV), incluindo terapia nutricional individualizada e atividade física aeróbica supervisionada. O objetivo é o controle glicêmico rigoroso para reduzir riscos de macrossomia, pré-eclâmpsia e hipoglicemia neonatal. A paciente deve iniciar o automonitoramento da glicemia capilar (jejum, 1h ou 2h pós-prandiais). Se as metas glicêmicas não forem atingidas em 1 a 2 semanas de dieta, a insulinoterapia deve ser considerada.
Durante a gestação normal, ocorre uma queda fisiológica da glicemia de jejum devido ao consumo contínuo de glicose pelo feto e pela unidade fetoplacentária, além do aumento do volume de distribuição. Portanto, valores que seriam considerados 'normais' ou 'pré-diabetes' em adultos não gestantes (como 95 mg/dL) já indicam uma falha na adaptação metabólica materna ao estado gestacional, correlacionando-se com desfechos adversos no estudo HAPO, o que justifica o ponto de corte mais baixo de 92 mg/dL.
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