UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Gestante, de 28 semanas, apresenta TTOG com sobrecarga de 75 g de glicose realizada com 26 semanas: 92-182-152 mg/dL. Recebe orientação quanto à dieta, atividade física e controle glicêmico. Retorna 7 dias depois dessa consulta, relatando ter seguido todas as orientações, perdeu 2 kg de peso.Com esse perfil glicêmico, a conduta correta será a seguinte:
Falha no controle glicêmico com dieta/exercício por 1-2 semanas → Iniciar Insulinoterapia no DMG.
Se o perfil glicêmico da gestante com DMG permanece inadequado após uma semana de medidas não farmacológicas, a introdução de insulina é necessária para prevenir complicações fetais.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é caracterizado por uma intolerância aos carboidratos de gravidade variável, com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. A fisiopatologia envolve o aumento dos hormônios diabetogênicos placentários (como o lactogênio placentário humano), que geram resistência insulínica periférica para garantir o aporte de glicose ao feto. Quando o pâncreas materno não consegue compensar essa resistência, ocorre a hiperglicemia. O tratamento inicial foca em dieta fracionada e exercícios físicos leves. Contudo, se o perfil glicêmico mostrar 'muitos controles inadequados' (como citado na questão), a insulinoterapia deve ser instituída prontamente. A perda de peso na gestação, embora possa ocorrer com a dieta, não justifica a manutenção de níveis glicêmicos elevados, pois o objetivo principal é o controle metabólico para evitar o hiperinsulinismo fetal e suas consequências.
As metas glicêmicas para gestantes com Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) são rigorosas para minimizar riscos como macrossomia e hipoglicemia neonatal. Os valores alvo são: Glicemia de jejum < 95 mg/dL, glicemia 1 hora após as refeições < 140 mg/dL e glicemia 2 horas após as refeições < 120 mg/dL. O controle é feito através de perfil glicêmico capilar (dextro) em múltiplos horários do dia.
A falha do tratamento não farmacológico (dieta e atividade física) é geralmente considerada quando, após 1 a 2 semanas de seguimento rigoroso, cerca de 20% a 30% dos valores medidos no perfil glicêmico estão acima das metas estabelecidas. No caso de pacientes que já apresentam níveis muito elevados no diagnóstico ou sinais de crescimento fetal excessivo (circunferência abdominal fetal > p90), a introdução da insulina pode ser mais precoce.
A insulina é considerada o padrão-ouro porque não atravessa a barreira placentária, sendo segura para o feto, e permite um ajuste fino e individualizado das doses para atingir as metas glicêmicas. Embora alguns hipoglicemiantes orais (como metformina) sejam discutidos em diretrizes internacionais, a insulina permanece como a primeira escolha na maioria dos protocolos brasileiros devido à sua eficácia comprovada e perfil de segurança estabelecido há décadas.
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