CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Gestante de 26 semanas com glicemia de jejum inicial 81 mg/dL realiza TOTG 75 g com resultados: → Jejum: 84 mg/dL → 1 h: 178 mg/dL → 2 h: 139 mg/dL. Qual o diagnóstico?
TOTG 75g normal → Jejum < 92, 1h < 180 e 2h < 153 mg/dL.
O diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) exige que pelo menos um dos valores do TOTG 75g esteja alterado. Como todos os resultados da paciente estão abaixo dos pontos de corte, o teste é normal.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é a complicação metabólica mais comum da gestação, associada a riscos como macrossomia fetal, distocia de ombro, hipoglicemia neonatal e aumento da taxa de cesarianas. A fisiopatologia envolve uma incapacidade pancreática materna de compensar a resistência insulínica periférica exacerbada pelos hormônios contrarreguladores da placenta. A padronização do TOTG 75g permitiu uma identificação mais precoce de gestantes em risco. É fundamental que o médico assistente saiba diferenciar o DMG do 'Diabetes Overt' (pré-existente mas descoberto na gestação), pois o manejo e o prognóstico diferem significativamente. O acompanhamento pós-parto também é crucial, com novo TOTG 6 semanas após o parto, dado o alto risco de desenvolvimento de DM tipo 2 no futuro.
De acordo com os critérios da IADPSG e da Organização Mundial da Saúde, adotados amplamente no Brasil, o diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é estabelecido se um ou mais valores do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g de sobrecarga estiverem alterados entre a 24ª e 28ª semana de gestação. Os pontos de corte são: Glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL, glicemia de 1 hora após a sobrecarga ≥ 180 mg/dL e glicemia de 2 horas após a sobrecarga ≥ 153 mg/dL. Se a glicemia de jejum no primeiro trimestre for ≥ 92 mg/dL e < 126 mg/dL, o diagnóstico de DMG já pode ser selado sem a necessidade do TOTG posterior. Valores de jejum ≥ 126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5% em qualquer momento indicam Diabetes Mellitus pré-gestacional (overt diabetes).
O rastreio universal é recomendado para todas as gestantes que não possuem diagnóstico prévio de diabetes. Inicialmente, solicita-se a glicemia de jejum na primeira consulta de pré-natal (primeiro trimestre). Se o resultado for inferior a 92 mg/dL, a paciente deve ser submetida ao Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 75g entre a 24ª e 28ª semana de gestação. Este período é escolhido devido ao aumento fisiológico da resistência insulínica mediada por hormônios placentários, como o lactogênio placentário humano, que atinge seu pico nesse intervalo. Caso a glicemia de jejum inicial já seja alterada (≥ 92 mg/dL), o diagnóstico é firmado precocemente e o TOTG torna-se desnecessário.
Diferente dos critérios antigos (como os de Carpenter-Coustan que exigiam dois valores alterados), os critérios atuais definem que apenas um valor alterado no TOTG de 75g é suficiente para o diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional. Uma vez diagnosticada, a gestante deve iniciar terapia nutricional específica, monitorização glicêmica capilar (geralmente 4 a 7 vezes ao dia) e estímulo à atividade física supervisionada. Se após 1 a 2 semanas de medidas não farmacológicas os alvos glicêmicos (Jejum < 95 mg/dL, 1h pós-prandial < 140 mg/dL ou 2h pós-prandial < 120 mg/dL) não forem atingidos em mais de 30% das medidas, a insulinoterapia deve ser iniciada prontamente para reduzir riscos perinatais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo