SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Uma gestante de 10 semanas iniciou consulta de pré-natal com exames solicitados por outro médico e retornou para avaliação.\n\nEssa mesma paciente realizou perfil glicêmico que constatou alteração de mais de 30% das medidas, sendo necessário tratamento adjuvante às medidas comportamentais.\n\nA mencionada paciente realizou ultrassonografia obstétrica do terceiro trimestre, por meio da qual foram verificados peso fetal estimado de 2.810 g (percentil 100), 33 semanas e 4 dias de gravidez, com líquido amniótico apresentando maior bolsão vertical de 12 cm, com Doppler de artérias uterinas e umbilical dentro da normalidade. A respeito do melhor momento de interrupção e da via de parto, assinale a alternativa correta.
GDM com controle medicamentoso + macrossomia → Interrupção com 37 semanas, preferencialmente via vaginal.
Em gestantes com diabetes gestacional (GDM) que necessitam de tratamento farmacológico e apresentam complicações como macrossomia ou polidrâmnio, a interrupção da gestação é recomendada às 37 semanas para reduzir riscos perinatais.
O manejo do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) exige uma vigilância rigorosa do crescimento fetal e do volume de líquido amniótico. Quando as medidas comportamentais falham e o tratamento adjuvante (insulina ou metformina) é iniciado, o risco de macrossomia e polidrâmnio aumenta significativamente se o controle glicêmico não for estrito. A macrossomia é definida pelo peso fetal acima do percentil 90 para a idade gestacional, enquanto o polidrâmnio é caracterizado por um maior bolsão vertical (MBV) > 8 cm ou índice de líquido amniótico (ILA) > 24 cm. A decisão sobre o momento do parto equilibra os riscos de prematuridade tardia contra os riscos de morte fetal e trauma de parto. Em casos de DMG complicado por macrossomia e polidrâmnio, como o apresentado, a interrupção às 37 semanas é a conduta padrão. A via de parto deve ser preferencialmente vaginal, reservando-se a cesariana para indicações obstétricas habituais ou estimativas de peso fetal muito elevadas que aumentem drasticamente o risco de distocia de ombro.
Para gestantes com diabetes gestacional que necessitam de insulina ou hipoglicemiantes orais e apresentam bom controle metabólico sem outras complicações, o parto costuma ser planejado entre 38 e 39 semanas. No entanto, na presença de complicações como macrossomia fetal (percentil > 90 ou 97) ou polidrâmnio, a recomendação é a antecipação para 37 semanas para mitigar o risco de morte fetal intrauterina e distocia de ombro.
Não necessariamente. A via de parto deve ser decidida com base na estimativa de peso fetal e condições obstétricas. A maioria das diretrizes, incluindo a FEBRASGO e o ACOG, sugere considerar a cesariana eletiva apenas quando o peso fetal estimado excede 4.500g em mães diabéticas ou 5.000g em não diabéticas. Abaixo desses valores, a via vaginal é preferencial, desde que haja vigilância para distocia de ombro.
O polidrâmnio é um marcador indireto de hiperglicemia fetal e mau controle metabólico materno. Sua presença aumenta o risco de complicações como prematuridade, rotura prematura de membranas e prolapso de cordão. No contexto do GDM, o polidrâmnio reforça a necessidade de antecipação do parto para o termo precoce (37 semanas) para evitar desfechos adversos graves.
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