HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024
M.B.A., 29 anos, GII PI 1N A0, vem à primeira consulta de pré-natal com IG de 9 semanas. Nega comorbidades. Durante a aferição de pressão arterial, com manguito adequado, verificou-se PA de 144 x 92 mmHg. Ainda, trouxe exame laboratorial, realizado com IG de 8 semanas, demonstrando glicemia de jejum de 92 mg/dL.Com relação ao resultado de glicemia de jejum, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e/ou conduta corretos.
Glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL no 1º trimestre = Diabetes Gestacional.
Valores de glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL em qualquer fase da gestação (incluindo o início) definem o diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG).
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é definido como uma intolerância aos carboidratos de gravidade variável, com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. A fisiopatologia está ligada ao aumento de hormônios contrainsulínicos produzidos pela placenta (como o lactogênio placentário). O rastreamento deve ser universal e iniciado na primeira consulta. A utilização do ponto de corte de 92 mg/dL para a glicemia de jejum permite a identificação precoce de gestantes em risco, possibilitando o controle glicêmico adequado desde o primeiro trimestre, reduzindo a morbidade perinatal.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde (baseados no estudo HAPO), uma glicemia de jejum entre 92 mg/dL e 125 mg/dL em qualquer momento da gestação é diagnóstica de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG). Se o valor for ≥ 126 mg/dL, o diagnóstico é de Diabetes Mellitus pré-gestacional (ou 'overt diabetes').
Se a glicemia de jejum no primeiro trimestre for inferior a 92 mg/dL, a paciente é considerada temporariamente normal para o metabolismo da glicose. No entanto, ela deve obrigatoriamente realizar o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TTGO 75g) entre a 24ª e 28ª semana de gestação para reavaliação.
O diagnóstico precoce visa identificar mulheres com hiperglicemia leve que já apresentam riscos aumentados para complicações materno-fetais, como macrossomia e pré-eclâmpsia. A intervenção precoce com dieta, exercícios e, se necessário, insulina, melhora significativamente os desfechos gestacionais.
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