UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015
Paciente de 22 anos, GI P0 A0, IG 37 semanas e 4 dias, deu entrada no pronto- socorro apresentando contrações com início há 3 horas, negando perdas vaginais, refere movimentos fetais presentes sem alterações. Refere pré-natal inadequado pela dificuldade de conseguir ir ao posto de saúde e dificuldade em realização dos exames. Ao exame físico apresentada: Altura fundo de útero 38 cm; BCF 140; DU 3/10/30; TV 4 cm, apagado 50%, amolecido, feto alto com apresentação cefálica. (VER IMAGEM). Diante dos dados do cartão da gestante, qual deve ser o diagnóstico?
AU > percentil 90 + Pré-natal inadequado → Suspeitar fortemente de Diabetes Gestacional (DMG).
O aumento excessivo da altura uterina (sugerindo macrossomia ou polidrâmnio) em gestante com pré-natal falho é um forte indício clínico de Diabetes Mellitus Gestacional não diagnosticado.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é a patologia metabólica mais comum da gestação, decorrente do aumento de hormônios contrainsulínicos (como o lactogênio placentário) que geram resistência insulínica periférica. Quando o pâncreas materno não compensa essa demanda, surge a hiperglicemia. O rastreio universal é recomendado, pois muitas pacientes são assintomáticas. No caso clínico apresentado, a altura uterina de 38 cm para uma idade gestacional de 37 semanas sugere um feto grande para a idade gestacional (GIG). No contexto de um pré-natal inadequado, onde os exames de rastreio provavelmente não foram realizados, o diagnóstico clínico mais provável entre as opções é o DMG, que justifica o crescimento fetal excessivo e é uma causa comum de desfechos obstétricos adversos quando não controlado adequadamente.
O diagnóstico de DMG pode ser feito por: 1) Glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL em qualquer fase da gestação; 2) No TOTG 75g (entre 24-28 semanas): Jejum ≥ 92 mg/dL, 1h ≥ 180 mg/dL ou 2h ≥ 153 mg/dL. Apenas um valor alterado é suficiente para o diagnóstico. Valores de jejum ≥ 126 mg/dL ou glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL com sintomas sugerem Diabetes Mellitus pré-existente (Overt Diabetes).
A hiperglicemia materna leva à hiperglicemia fetal, pois a glicose atravessa a placenta por difusão facilitada. O pâncreas fetal responde com hiperinsulinismo. Como a insulina é um potente hormônio anabólico e fator de crescimento, ocorre a macrossomia (crescimento excessivo de tecidos moles e órgãos). Além disso, a hiperglicemia fetal causa diurese osmótica, resultando em polidrâmnio. Ambos aumentam a altura uterina acima do esperado.
A macrossomia fetal (peso > 4.000g ou > percentil 90) aumenta significativamente o risco de distocia de ombros, lesões de plexo braquial, fraturas de clavícula e necessidade de parto operatório ou cesariana. Para a mãe, há maior risco de lacerações perineais graves e hemorragia pós-parto por atonia uterina, devido ao excessivo estiramento das fibras miometriais pelo volume fetal e líquido amniótico.
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