PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Mulher, 32 anos de idade, com 26 semanas de gestação, comparece ao ambulatório de pré-natal de sua cidade. Está assintomática, sem histórico de doenças pré-existentes e sem queixas específicas. Durante a avaliação, o médico decide realizar o teste de tolerância à glicose de 75g, que resulta em níveis elevados de glicemia após 1 hora e 2 horas. Foi informada da importância do controle glicêmico rigoroso durante a gestação para evitar complicações. Ela possui um bom suporte familiar, mas apresenta dificuldades para modificar sua alimentação e adotar um estilo de vida mais saudável.Indique as principais complicações associadas ao diabetes gestacional não controlado para a mãe e o feto:
GDM → Hiperinsulinismo fetal → ↑ Macrosomia e ↓ Glicemia neonatal pós-parto.
O diabetes gestacional gera um ambiente de hiperglicemia materna que atravessa a placenta, estimulando o pâncreas fetal a produzir insulina em excesso, resultando em crescimento exagerado e risco de queda glicêmica abrupta após o nascimento.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é uma das complicações metabólicas mais comuns da gestação, caracterizada por graus variados de intolerância à glicose. A fisiopatologia envolve o aumento de hormônios contrainsulínicos produzidos pela placenta (como o lactogênio placentário, cortisol e prolactina), que geram resistência insulínica periférica na mãe para garantir o aporte de glicose ao feto. O diagnóstico padrão é realizado entre 24 e 28 semanas através do TOTG 75g, embora o rastreio possa começar precocemente com a glicemia de jejum no primeiro trimestre. As repercussões fetais são mediadas pelo binômio hiperglicemia materna-hiperinsulinismo fetal. Além da macrosomia e hipoglicemia, há risco aumentado de policitemia, hiperbilirrubinemia e síndrome do desconforto respiratório (devido ao atraso na maturação pulmonar pelo excesso de insulina que inibe a produção de surfactante). Para a mãe, o DMG eleva o risco de distocia de ombro durante o parto, lacerações perineais, pré-eclâmpsia e desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo 2 no futuro, exigindo reavaliação metabólica 6 a 12 semanas após o parto.
A glicose materna atravessa livremente a placenta por difusão facilitada, mas a insulina materna não. O feto, exposto a altos níveis de glicose, desenvolve hiperinsulinismo secundário. Como a insulina é um potente hormônio anabólico e fator de crescimento, ela estimula o depósito de gordura e o crescimento de órgãos e tecidos moles, resultando em um feto grande para a idade gestacional (GIG) ou macrosômico. Esse crescimento excessivo aumenta significativamente o risco de complicações durante o parto, como a distocia de ombro, e pode levar a traumas de parto tanto para a mãe quanto para o recém-nascido, além de aumentar a taxa de cesarianas.
Durante a gestação, o feto mantém níveis elevados de insulina para processar a carga constante de glicose recebida da mãe. Após o clampeamento do cordão umbilical, o suprimento contínuo de glicose materna cessa abruptamente, mas o estado de hiperinsulinismo fetal persiste temporariamente. Essa insulina circulante em excesso consome rapidamente as reservas de glicose do recém-nascido, levando à hipoglicemia neonatal nas primeiras horas de vida. É uma das complicações metabólicas mais comuns e exige monitoramento rigoroso da glicemia capilar do neonato logo após o nascimento, além de incentivo ao aleitamento materno precoce para estabilização dos níveis glicêmicos.
Geralmente não. As malformações congênitas, como a síndrome da regressão caudal ou cardiopatias, estão associadas à hiperglicemia durante o período crítico de organogênese, que ocorre no primeiro trimestre. Como o diabetes gestacional (DMG) é definido como uma intolerância à glicose diagnosticada pela primeira vez na gestação, geralmente no segundo ou terceiro trimestre (após a organogênese), o risco de malformações não é significativamente maior que na população geral. O risco elevado de malformações é uma característica do diabetes pré-gestacional (tipo 1 ou 2) que não estava adequadamente controlado no momento da concepção e nas primeiras semanas de gravidez.
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