SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Gestante de 29 anos de idade, G2P1, com diagnóstico de diabetes gestacional controlada por dieta, é admitida com 39 semanas e em trabalho de parto, com 5cm de dilatação do colo uterino. O peso estimado do feto é de 4.200g. Durante o parto, ocorreu distócia de ombro, necessitando de manobras obstétricas. A glicemia de jejum no pós-parto imediato estava normal.Indique o prazo mínimo, em semanas, após o parto, para resolução das alterações metabólicas próprias da gestação e reavaliação glicêmica adequada da paciente, visando o diagnóstico de Diabetes não associado a gestação:
Reavaliação de DMG no pós-parto → TOTG 75g entre 6 e 12 semanas.
Após o parto, a resistência insulínica mediada por hormônios placentários desaparece. A reavaliação com teste de tolerância oral à glicose (TOTG 75g) deve ocorrer após 6 semanas para diferenciar DMG de DM tipo 2 pré-existente ou persistente.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é definido como uma intolerância aos carboidratos diagnosticada pela primeira vez na gestação, que não preenche critérios para DM pré-gestacional. A fisiopatologia envolve a incapacidade do pâncreas materno em compensar a resistência insulínica aumentada no segundo e terceiro trimestres. A reavaliação pós-parto é crucial porque muitas mulheres com DMG apresentam, na verdade, DM tipo 2 não diagnosticado previamente ou evoluem para DM2 precocemente. O intervalo de 6 a 12 semanas é o consenso internacional para garantir que as alterações hormonais da gravidez não interfiram no resultado, permitindo uma classificação precisa do status glicêmico da mulher fora do estado gravídico.
Durante a gestação, hormônios como o lactogênio placentário, cortisol e prolactina induzem um estado de resistência insulínica fisiológica. Após a dequitação placentária, os níveis desses hormônios caem drasticamente, mas a homeostase metabólica completa e a reversão das adaptações fisiológicas da gravidez levam cerca de 6 semanas (período do puerpério remoto). Realizar o teste antes desse prazo pode gerar resultados falso-positivos devido ao estresse metabólico residual do parto e da gestação.
O exame recomendado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e pela FEBRASGO é o Teste Oral de Tolerância à Glicose com 75g de glicose anidra (TOTG 75g). Devem ser avaliadas a glicemia de jejum e a glicemia 2 horas após a sobrecarga. Os critérios diagnósticos são os mesmos para a população geral não gestante: Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou 2h pós-sobrecarga ≥ 200 mg/dL para Diabetes Mellitus; e valores intermediários para Pré-diabetes.
Se o resultado for normal, a paciente deve ser orientada sobre o alto risco de desenvolver Diabetes Tipo 2 ao longo da vida (aumento de até 7 vezes). Recomenda-se a manutenção de hábitos de vida saudáveis, controle de peso e rastreamento periódico para DM2 a cada 1 a 3 anos, dependendo de outros fatores de risco associados, como obesidade e histórico familiar.
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