INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma gestante de 35 anos de idade, gesta 3 para 2, com idade gestacional de 12 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para primeira consulta médica da gestação atual, trazendo os exames de rotina solicitados pela enfermeira. Nega intercorrências nas gestações anteriores, terminadas em partos vaginais a termo, sendo o último muito trabalhoso, pois o recém-nascido pesava 4.450 g. Nega antecedentes familiares de hipertensão, diabetes ou outras doenças crônicas. Ao exame físico: bom estado geral, corada, hidratada, afebril, eupneica, altura = 160 cm, peso = 75 kg, PA = 110 x 60 mmHg. O exame obstétrico revela útero de tamanho compatível com 12 semanas. Em relação aos exames laboratoriais, a glicemia de jejum resultou 82 mg/dL (valor de referência: abaixo de 85 mg/dL). Diante desse quadro, qual a conduta correta em relação ao risco para desenvolvimento de diabetes gestacional?
Fator de risco para DMG (ex: macrossomia prévia) + Glicemia < 92 → TOTG 75g imediato.
Gestantes com alto risco clínico para DMG devem ser testadas precocemente com TOTG 75g se a glicemia de jejum inicial não for diagnóstica.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é definido como uma intolerância aos carboidratos de gravidade variável, com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. A fisiopatologia envolve o aumento de hormônios contrainsulínicos produzidos pela placenta (como o lactogênio placentário), que geram resistência insulínica periférica. O rastreio precoce é fundamental para reduzir desfechos adversos como macrossomia, distocia de ombro, hipoglicemia neonatal e pré-eclâmpsia. Pacientes com antecedentes de macrossomia, obesidade, idade avançada ou SOP devem ser monitoradas rigorosamente desde o primeiro trimestre.
A paciente apresenta fatores de risco importantes para Diabetes Mellitus Gestacional (DMG), especificamente a idade materna de 35 anos e o antecedente de macrossomia fetal (recém-nascido com 4.450g). Segundo as diretrizes brasileiras (SBD/FEBRASGO), se a glicemia de jejum na primeira consulta for inferior a 92 mg/dL em uma paciente de alto risco, deve-se proceder imediatamente ao Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG 75g) para descartar diabetes pré-existente ou DMG precoce.
No Brasil, o diagnóstico de DMG é feito se a glicemia de jejum estiver entre 92 e 125 mg/dL em qualquer fase da gestação. Se o valor for ≥ 126 mg/dL, o diagnóstico é de Diabetes Mellitus tipo 2 (ou 'overt diabetes'). Valores abaixo de 92 mg/dL são considerados normais no jejum, mas não excluem DMG em pacientes de risco, necessitando de complementação com o TOTG.
Para gestantes que não tiveram diagnóstico de diabetes no início da gestação (glicemia de jejum < 92 mg/dL), o rastreio universal com o TOTG 75g deve ser realizado entre a 24ª e a 28ª semana de idade gestacional. No entanto, a presença de fatores de risco clínicos pode antecipar essa investigação.
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