Diabetes, ICFER e DRC: Avaliação de Comorbidades em Idosos

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 68 anos, com diabetes há 20 anos e hipertensão arterial há 10 anos, relatou que evita sair de casa, pois apresenta falta de ar ao caminhar dois quarteirões. Também deixou de ir à hidroginástica há quatro meses. Levou para a consulta os seguintes exames: glicemia = 158mg/dL, HbA1c = 8,3%, ecocardiograma com disfunção ventricular esquerda e fração de ejeção = 43%, TFG = 60mL/min/1,73 e microalbuminúria. Baseando-se nesses dados, os problemas apresentados pela paciente são:

Alternativas

  1. A) controle glicêmico descompensado, insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e insuficiência renal estádio 2
  2. B) controle glicêmico fora das metas, insuficiência cardíaca com disfunção sistólica grave e insuficiência renal estádio 3
  3. C) controle glicêmico adequado à faixa etária, função sistólica normal e hiperfiltração glomerular sem dano renal
  4. D) controle glicêmico compensado, disfunção sistólica leve e insuficiência renal estádio 1 com dano renal

Pérola Clínica

DM descompensado (HbA1c 8,3%), ICFER (FE 43%), DRC estádio 2 (TFG 60) + microalbuminúria.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um controle glicêmico inadequado para sua idade e comorbidades (HbA1c > 7%), insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FE < 50%), e doença renal crônica em estágio 2, evidenciada pela TFG entre 60-89 mL/min/1,73m² e pela microalbuminúria, que indica dano renal.

Contexto Educacional

Este caso clínico ilustra a complexidade do manejo de pacientes idosos com múltiplas comorbidades crônicas, como diabetes mellitus e hipertensão arterial, que frequentemente levam a complicações como insuficiência cardíaca e doença renal crônica. A paciente apresenta sintomas de dispneia aos esforços, indicando limitação funcional significativa. A avaliação laboratorial e de imagem revela um controle glicêmico descompensado (HbA1c de 8,3%), que está acima das metas recomendadas para a maioria dos pacientes diabéticos, especialmente aqueles com comorbidades. O ecocardiograma demonstra disfunção ventricular esquerda com fração de ejeção de 43%, caracterizando uma insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER). Em relação à função renal, a taxa de filtração glomerular (TFG) de 60 mL/min/1,73m² se enquadra no estágio 2 da doença renal crônica (DRC), que é definida por uma TFG entre 60 e 89 mL/min/1,73m² com evidência de dano renal, como a microalbuminúria presente no caso. Portanto, a alternativa A descreve corretamente os problemas da paciente.

Perguntas Frequentes

Qual o significado de uma HbA1c de 8,3% em uma idosa diabética?

Uma HbA1c de 8,3% indica um controle glicêmico descompensado. Para idosos com múltiplas comorbidades, a meta pode ser um pouco mais flexível (geralmente <8%), mas 8,3% ainda sugere necessidade de ajuste terapêutico.

Como é classificada a insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 43%?

Uma fração de ejeção de 43% classifica a insuficiência cardíaca como insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), pois está abaixo de 50% (ou 40% dependendo da diretriz, mas 43% é claramente reduzida).

O que indica uma TFG de 60 mL/min/1,73m² com microalbuminúria?

Uma TFG entre 60-89 mL/min/1,73m² com microalbuminúria indica doença renal crônica (DRC) estágio 2, pois há evidência de dano renal (albuminúria) e leve redução da função glomerular.

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