AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022
Em relação à Diabetes Melito no paciente cirúrgico, é correto afirmar que:
DM compensado não é fator de risco INDEPENDENTE para infecção pós-operatória.
Embora o diabetes seja um fator de risco para infecções, quando bem compensado e com controle glicêmico adequado no perioperatório, ele não atua como um fator de risco independente para infecção pós-operatória, ou seja, o risco é minimizado ao nível de pacientes não diabéticos.
O Diabetes Mellitus (DM) é uma condição crônica comum que afeta milhões de pessoas e representa um desafio significativo no manejo do paciente cirúrgico. Pacientes diabéticos apresentam maior risco de complicações perioperatórias, incluindo infecções do sítio cirúrgico, atraso na cicatrização de feridas, eventos cardiovasculares e renais. A hiperglicemia, tanto crônica quanto aguda no período perioperatório, é o principal fator que contribui para esses riscos. A fisiopatologia por trás do aumento do risco de infecção em diabéticos envolve múltiplos mecanismos. A hiperglicemia compromete a função dos neutrófilos, macrófagos e linfócitos, prejudicando a resposta imune inata e adaptativa. Além disso, o diabetes pode levar a microangiopatia e macroangiopatia, que afetam a perfusão tecidual e a entrega de oxigênio e antibióticos ao local da ferida, dificultando a cicatrização e favorecendo o crescimento bacteriano. No entanto, é crucial entender que o risco de infecção não é inerente ao diagnóstico de diabetes, mas sim ao seu controle. Quando o diabetes está bem compensado, com níveis glicêmicos controlados antes, durante e após a cirurgia, o risco de infecção pós-operatória é significativamente reduzido e não atua como um fator de risco independente. Portanto, a otimização do controle glicêmico pré-operatório e a manutenção de uma glicemia estável no perioperatório são as medidas mais importantes para melhorar os desfechos cirúrgicos em pacientes diabéticos.
A hiperglicemia compromete a função imune, prejudicando a quimiotaxia e fagocitose de neutrófilos, a função de macrófagos e a cicatrização de feridas, tornando o paciente mais suscetível a infecções.
O alvo glicêmico geralmente recomendado é manter a glicemia entre 80-180 mg/dL, com alguns guidelines sugerindo um controle mais rigoroso (110-140 mg/dL) em situações específicas, evitando hipoglicemia.
Não, se o diabetes tipo 1 estiver bem compensado e o controle glicêmico for mantido no perioperatório, o risco de infecção não é aumentado em comparação com pacientes não diabéticos. O descontrole é o fator de risco.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo