DM e DAC: Manejo Farmacológico e Efeitos Adversos

UFAL/HUPAA - Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (AL) — Prova 2020

Enunciado

Medidas não farmacológicas como cessação do tabagismo, perda de peso, atividade física regular, controle dietético e de fatores de risco estão indicadas para todos os pacientes com DM portadores de doença arterial coronariana (DAC). Nesse contexto, apenas não podemos concordar que:

Alternativas

  1. A) a prevenção secundária com uso de AAS e estatinas (com alvo de LDL-C < 70 mg/dl está indicada para todos, salvo contraindicações.
  2. B) o uso de IECAs está recomendado (salvo contraindicações para pacientes portadores de DAC e DM para redução de risco cardiovascular.
  3. C) BRAs não devem substituir IECAs quando o paciente apresentar tosse relacionada com o IECA.
  4. D) betabloqueadores estão indicados para pacientes portadores de DAC e DM com disfunção ventricular esquerda, observando-se as indicações da diretriz de IC.

Pérola Clínica

Tosse por IECA → substituir por BRA, pois BRAs não causam acúmulo de bradicinina.

Resumo-Chave

A tosse é um efeito colateral comum e incômodo dos Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECAs), ocorrendo devido ao acúmulo de bradicinina. Nesses casos, os Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRAs) são a alternativa preferencial, pois atuam em um ponto diferente do sistema renina-angiotensina-aldosterona e não causam acúmulo de bradicinina, sendo eficazes e bem tolerados.

Contexto Educacional

O manejo de pacientes com Diabetes Mellitus (DM) e Doença Arterial Coronariana (DAC) é complexo e multifacetado, exigindo uma abordagem abrangente que inclua medidas não farmacológicas e farmacológicas. A prevenção secundária é crucial para reduzir a morbimortalidade cardiovascular nesses pacientes. As medidas não farmacológicas, como cessação do tabagismo, perda de peso, atividade física regular e controle dietético, são a base do tratamento e devem ser incentivadas em todos os casos. No contexto farmacológico, a prevenção secundária com ácido acetilsalicílico (AAS) e estatinas (com alvo de LDL-C < 70 mg/dl) é amplamente indicada, salvo contraindicações, devido à sua eficácia comprovada na redução de eventos cardiovasculares. Os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECAs) são recomendados para pacientes com DAC e DM para redução de risco cardiovascular, devido aos seus efeitos protetores renais e cardiovasculares. Um ponto crítico de atenção é o manejo dos efeitos adversos. A tosse é um efeito colateral comum dos IECAs, mediada pelo acúmulo de bradicinina. Nesses casos, os Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRAs) são a alternativa de escolha, pois não causam acúmulo de bradicinina e, portanto, não induzem tosse, mantendo os benefícios cardiovasculares. Afirmar que BRAs não devem substituir IECAs em caso de tosse é incorreto. Por fim, os betabloqueadores são indicados para pacientes com DAC e DM que apresentam disfunção ventricular esquerda, insuficiência cardíaca ou após infarto agudo do miocárdio, conforme as diretrizes de insuficiência cardíaca.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do uso de AAS e estatinas na prevenção secundária de DM e DAC?

O AAS (ácido acetilsalicílico) é indicado para prevenir eventos trombóticos, enquanto as estatinas são cruciais para reduzir o LDL-C, estabilizar placas ateroscleróticas e diminuir o risco cardiovascular em pacientes com DM e DAC.

Por que os IECAs são recomendados para pacientes com DAC e DM?

Os IECAs reduzem o risco cardiovascular em pacientes com DAC e DM, pois promovem vasodilatação, reduzem a pré e pós-carga cardíaca, e têm efeitos protetores renais e vasculares, independentemente da presença de hipertensão.

Quando os betabloqueadores são indicados para pacientes com DAC e DM?

Betabloqueadores são indicados para pacientes com DAC e DM que apresentam disfunção ventricular esquerda, insuficiência cardíaca ou após infarto agudo do miocárdio, seguindo as diretrizes específicas para essas condições.

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