Diabetes Insipidus Nefrogênico por Lítio: Manejo Clínico

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente é internado na UTI com quadro de insuficiência renal secundária ao uso de AINES. Na história do paciente encontramos o uso concomitante de Litio para transtorno bilateral. No 3º dia o paciente desenvolve poliúria acompanhada de glicosúria, hipernatremia, hiperosmolalidade plasmática e densidade urinária <1005. Dentre as afirmativas abaixo qual apresenta a conduta mais adequada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Hidratação venosa e uso de DDAVP
  2. B) Uso de diurético de alça e dieta hipossódica
  3. C) Uso de Clorpropamida e Vasopresseina
  4. D) Amilorida, dieta hipossódica e correção de potássio
  5. E) DDAVP, Vasopressina e dieta hipossódica

Pérola Clínica

Diabetes insipidus nefrogênico por lítio + poliúria, hipernatremia, densidade urinária ↓ → Amilorida, dieta hipossódica, correção K+.

Resumo-Chave

O quadro clínico de poliúria, hipernatremia, hiperosmolalidade plasmática e densidade urinária baixa, em paciente usando lítio, é altamente sugestivo de Diabetes Insipidus Nefrogênico (DIN) induzido por lítio. A glicosúria na ausência de hiperglicemia sugere disfunção tubular renal. A amilorida é o tratamento de escolha para DIN induzido por lítio, pois bloqueia a entrada de lítio nas células tubulares renais, e a dieta hipossódica e correção de potássio são medidas de suporte importantes.

Contexto Educacional

O Diabetes Insipidus Nefrogênico (DIN) induzido por lítio é uma complicação renal comum e grave do tratamento com lítio, utilizado principalmente para transtorno bipolar. O lítio interfere na ação do hormônio antidiurético (ADH) nos túbulos coletores renais, levando à incapacidade dos rins de concentrar a urina. Este quadro se manifesta clinicamente por poliúria e polidipsia, podendo evoluir para desidratação e hipernatremia se não for adequadamente manejado. O diagnóstico é suspeitado em pacientes em uso de lítio que desenvolvem poliúria, hipernatremia e urina diluída. A glicosúria na ausência de hiperglicemia, como mencionado no caso, sugere uma disfunção tubular mais generalizada, que pode ser induzida por AINES ou pelo próprio lítio. O tratamento envolve a retirada do lítio, se possível, ou a redução da dose, além de medidas para controlar a poliúria e a hipernatremia. A conduta mais adequada para o DIN induzido por lítio inclui o uso de amilorida, que reduz a captação de lítio pelas células tubulares, e uma dieta hipossódica para diminuir a carga de solutos e, consequentemente, a poliúria. A correção de distúrbios eletrolíticos, como a hipocalemia, é fundamental, pois o potássio baixo pode exacerbar o DIN. É crucial diferenciar o DIN do Diabetes Insipidus Central, pois o tratamento com DDAVP é eficaz apenas no tipo central.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais do Diabetes Insipidus Nefrogênico induzido por lítio?

Os achados incluem poliúria (volume urinário > 3 L/dia), polidipsia, hipernatremia, hiperosmolalidade plasmática, e urina diluída com baixa densidade urinária (<1005) e baixa osmolalidade urinária, mesmo em estados de desidratação.

Por que a amilorida é a droga de escolha para o tratamento do Diabetes Insipidus Nefrogênico induzido por lítio?

A amilorida é um diurético poupador de potássio que atua bloqueando os canais de sódio epiteliais (ENaC) no túbulo coletor. Isso reduz a reabsorção de sódio e, consequentemente, a entrada de lítio nas células tubulares, diminuindo a toxicidade do lítio e melhorando a resposta à vasopressina.

Qual o papel da dieta hipossódica e da correção de potássio no manejo do Diabetes Insipidus Nefrogênico?

A dieta hipossódica ajuda a reduzir a carga de solutos para os rins, diminuindo a poliúria. A correção do potássio é crucial, pois a hipocalemia pode agravar o diabetes insipidus nefrogênico e a disfunção tubular.

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