Lítio e Diabetes Insipidus Nefrogênico: Manejo Renal

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Pacientes que fazem uso de lítio para tratamento de doença psiquiátrica crônica devem ter seus níveis de lítio monitorizados com frequência para antever efeitos colaterais, sendo o mais comum, em nível renal:

Alternativas

  1. A) Glomerulonefrite eosinofílica aguda.
  2. B) Nefrite túbulo intersticial alérgica.
  3. C) Diabetes insipidus nefrogênico.
  4. D) Necrose tubular aguda.

Pérola Clínica

Lítio → ↓ Resposta ao ADH no túbulo coletor → Diabetes Insipidus Nefrogênico (efeito renal mais comum).

Resumo-Chave

O lítio interfere na sinalização da aquaporina-2 nos ductos coletores, levando à incapacidade de concentrar a urina, resultando em poliúria e polidipsia.

Contexto Educacional

O carbonato de lítio é o padrão-ouro no tratamento do transtorno bipolar, mas possui uma janela terapêutica estreita. Sua excreção é quase exclusivamente renal, e ele compete com o sódio pela reabsorção nos túbulos proximais. O diabetes insipidus nefrogênico ocorre em até 20-40% dos usuários crônicos, sendo a manifestação renal mais precoce e frequente. Além do DI nefrogênico, o uso crônico pode levar à acidose tubular renal distal e, em casos de uso por mais de 10-20 anos, à doença renal crônica por fibrose intersticial. O conhecimento desses efeitos é vital para o médico assistente, permitindo o equilíbrio entre o controle psiquiátrico e a preservação da função renal do paciente.

Perguntas Frequentes

Como o lítio causa Diabetes Insipidus Nefrogênico?

O lítio entra nas células do túbulo coletor através dos canais de sódio epiteliais (ENaC). Uma vez dentro da célula, ele inibe a adenilato ciclase, o que reduz os níveis de AMP cíclico. Isso impede a translocação das aquaporinas-2 para a membrana apical, tornando a célula insensível ao hormônio antidiurético (ADH). O resultado é a incapacidade de reabsorver água, gerando urina diluída.

Quais são os sinais clínicos de toxicidade renal pelo lítio?

Os sinais cardinais são poliúria (volume urinário > 3L/dia) e polidipsia compensatória. Com o uso prolongado por décadas, pode evoluir para nefrite túbulo-intersticial crônica e perda progressiva da taxa de filtração glomerular. A monitorização da função renal e da litemia é essencial para evitar danos irreversíveis.

Como manejar o Diabetes Insipidus induzido por lítio?

O manejo inicial envolve a redução da dose de lítio, se possível, ou a troca da medicação. Caso o lítio seja indispensável, o uso de amilorida pode ser eficaz, pois bloqueia os canais ENaC, impedindo a entrada de lítio nas células do túbulo coletor. A hidratação adequada é fundamental para evitar a desidratação hipernatrêmica.

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