HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Paciente feminina, 37 anos, encontra-se há 12 horas internada na UTI, em pósoperatório imediato de ressecção transesfenoidal de macroadenoma de hipófise não funcionante. Encontra-se sob sedação com midazolam e fentanil, em ventilação mecânica. Parâmetros hemodinâmicos atuais: PA=90/60mmHg; FC= 110bpm; Diurese = 4300mL em 12h, com balanço hídrico no período negativo em 2400mL. A prescrição atual contém a sedação vigente, soro fisiológico 0,9% 500mL 6/6 horas e água por sonda nasoenteral 300mL 4/4 horas. O controle laboratorial colhido há uma hora revelou Na=154mEq/L (ref: 135-145mEq/L); K=5,3mEq/L (ref: 3,5-5,5mEq/L). A conduta adequada para estabilizar o quadro desta paciente é:
Pós-op. cirurgia hipofisária + poliúria + hipernatremia + hipotensão → Diabetes Insipidus Central = Desmopressina.
O quadro clínico de poliúria intensa, hipernatremia e hipotensão após cirurgia de hipófise é altamente sugestivo de diabetes insipidus central. A deficiência de ADH (vasopressina) leva à incapacidade de concentrar a urina, resultando em perda excessiva de água livre e desidratação. A desmopressina é o tratamento de escolha para repor a ação do ADH.
O diabetes insipidus central é uma complicação comum após cirurgias na região hipofisária, como a ressecção transesfenoidal de macroadenomas. Caracteriza-se pela deficiência na produção ou liberação de hormônio antidiurético (ADH ou vasopressina), levando à incapacidade renal de concentrar a urina. Sua incidência varia, mas é crucial reconhecê-lo precocemente devido ao risco de desidratação grave e distúrbios eletrolíticos. A fisiopatologia envolve a lesão das células produtoras de ADH no hipotálamo ou dos axônios que o transportam para a neuro-hipófise. Clinicamente, manifesta-se por poliúria (diurese > 3-5 mL/kg/h ou > 200 mL/h em adultos), polidipsia e hipernatremia. O diagnóstico é confirmado pela osmolaridade urinária baixa (< 300 mOsm/kg) e osmolaridade plasmática elevada, além do teste de privação hídrica (se o paciente estiver estável). No contexto pós-operatório, a poliúria e a hipernatremia são os sinais de alerta. O tratamento consiste na reposição do ADH, sendo a desmopressina (DDAVP) a droga de escolha, administrada por via intravenosa, subcutânea, intranasal ou oral. É fundamental monitorar rigorosamente o balanço hídrico, eletrólitos séricos e osmolaridade urinária para ajustar a dose e evitar hiponatremia por superdosagem. A correção da hipernatremia deve ser gradual para prevenir complicações neurológicas.
Os sinais clássicos incluem poliúria (diurese excessiva), polidipsia (sede intensa), hipernatremia (sódio sérico elevado) e, em casos graves, desidratação e instabilidade hemodinâmica como hipotensão e taquicardia.
A desmopressina é um análogo sintético do hormônio antidiurético (ADH ou vasopressina), que está deficiente no diabetes insipidus central. Ela atua nos receptores renais, promovendo a reabsorção de água e, assim, reduzindo a poliúria e corrigindo a hipernatremia.
A diferenciação envolve a avaliação da osmolaridade urinária (baixa no DI) e plasmática (alta no DI), além do teste de privação hídrica. Outras causas de poliúria, como diurese osmótica ou excesso de fluidos, geralmente não cursam com hipernatremia tão acentuada e osmolaridade urinária tão baixa.
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