Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Menino de 6 anos apresenta polidipsia, poliúria, hiponatremia e densidade urinária baixa. Exame: ausência de resposta ao teste de restrição hídrica, melhora após uso de desmopressina. Qual é o diagnóstico mais provável?
Resposta à desmopressina (↑ densidade urinária) após restrição hídrica → Diabetes Insipidus Central.
O Diabetes Insipidus Central é causado pela deficiência na produção de ADH. O teste de restrição hídrica confirma a incapacidade de concentrar a urina, e a resposta ao DDAVP diferencia a causa central da nefrogênica.
O Diabetes Insipidus (DI) é uma síndrome caracterizada pela incapacidade de concentrar a urina, resultando em poliúria e polidipsia compensatória. No contexto pediátrico, o DI Central pode ser idiopático ou secundário a tumores (como craniofaringioma), traumas ou cirurgias no SNC. A fisiopatologia envolve a ausência de secreção do hormônio antidiurético (ADH) pela neuro-hipófise. O diagnóstico diferencial exige rigor. O teste de privação hídrica é o padrão-ouro inicial: se o paciente não concentra a urina mesmo desidratado, confirma-se o DI. A etapa seguinte é a administração de desmopressina (análogo do ADH). O aumento da osmolalidade urinária em >50% confirma a etiologia central, enquanto a ausência de resposta aponta para resistência renal (DI Nefrogênico).
A diferenciação é feita pela administração de desmopressina (DDAVP) após o teste de restrição hídrica. No DI Central, há uma resposta positiva com aumento da osmolalidade urinária e redução do volume urinário, pois o problema é a falta de ADH. No DI Nefrogênico, os rins não respondem ao ADH, portanto, a administração de DDAVP não altera significativamente a concentração urinária.
O teste de restrição hídrica serve para diferenciar a polidipsia primária (psicogênica) do Diabetes Insipidus. Pacientes com polidipsia primária conseguem concentrar a urina conforme a desidratação progride, enquanto pacientes com DI mantêm urina diluída (baixa densidade e osmolalidade) mesmo sob privação de líquidos.
Os achados clássicos incluem poliúria persistente, densidade urinária baixa (geralmente < 1.005), osmolalidade urinária baixa (< 300 mOsm/kg) e, frequentemente, hipernatremia e aumento da osmolalidade plasmática, refletindo a perda excessiva de água livre pelos rins.
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