Diabetes Insipidus Central Pós-TCE: Diagnóstico e Tratamento

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Escolar de 8 anos de idade, vítima de acidente automobilístico há 24 horas, apresenta edema cerebral por provável lesão axonal difusa. Está internado em unidade de terapia intensiva sob ventilação mecânica. Apresentava estabilidade hemodinâmica até o momento, quando passou a apresentar diurese de 10 mL/kg/h, com densidade urinária de 1000 a 1005, PA: 85 × 45 mmHg, FC: 120 bpm, TC: 36 °C, desenvolvendo a mesma FR: 20 ipm do ventilador, saturação de oxigênio ao oxímetro: 90%. Ausculta cardiopulmonar normal. Abdome flácido sem visceromegalias. Ele recebeu então expansão volêmica com 40 mL/kg de soro fisiológico e iniciada norepinefrina 0,1 mcg/kg/min apresentando nova PA: 100 × 55 mmHg. Realizada glicemia capilar: 140 mg/dL e dosagem sérica de Na: 172 mEq/L e K: 4 mEq/L. Entre as opções abaixo, a melhor neste momento para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Desmopressina. 
  2. B) Dexametasona. 
  3. C) Furosemida.
  4. D) Dobutamina.
  5. E) Vancomicina.

Pérola Clínica

Poliúria + hipernatremia + densidade urinária ↓ após TCE grave → Diabetes Insipidus Central = Desmopressina.

Resumo-Chave

O quadro de poliúria intensa (10 mL/kg/h), hipernatremia (Na 172 mEq/L) e densidade urinária baixa (1000-1005) em um paciente com TCE grave e edema cerebral é altamente sugestivo de Diabetes Insipidus Central, que requer reposição de vasopressina (desmopressina).

Contexto Educacional

O Diabetes Insipidus Central (DIC) é uma condição caracterizada pela deficiência na produção ou liberação de vasopressina (ADH) pela neuro-hipófise, resultando em incapacidade de concentrar a urina. É uma complicação comum e grave de lesões cerebrais, como o trauma cranioencefálico (TCE), tumores ou cirurgias na região hipotalâmico-hipofisária. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com poliúria (>4-5 mL/kg/h), polidipsia, hipernatremia e densidade urinária baixa (<1005) ou osmolalidade urinária <200 mOsm/kg. A diferenciação de outras causas de poliúria, como a diurese osmótica, é crucial e pode ser feita com o teste de restrição hídrica e a resposta à desmopressina. O tratamento do DIC consiste na reposição da vasopressina, sendo a desmopressina (DDAVP) a droga de escolha, administrada por via intravenosa, subcutânea, intranasal ou oral. É fundamental monitorar o balanço hídrico, eletrólitos (especialmente sódio) e a densidade urinária para ajustar a dose e evitar hiponatremia iatrogênica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para diabetes insipidus central?

Os critérios incluem poliúria (diurese > 4-5 mL/kg/h), densidade urinária baixa (<1005 ou osmolalidade <200 mOsm/kg), hipernatremia e osmolalidade sérica elevada, especialmente após lesão cerebral.

Por que a desmopressina é o tratamento de escolha?

A desmopressina é um análogo sintético da vasopressina (ADH), que está deficiente no diabetes insipidus central. Ela age nos receptores V2 renais, promovendo a reabsorção de água e corrigindo a poliúria e a hipernatremia.

Quais as complicações do diabetes insipidus central não tratado?

A principal complicação é a desidratação grave e a hipernatremia progressiva, que pode levar a disfunção neurológica, convulsões, coma e morte, especialmente em pacientes com lesão cerebral pré-existente.

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