Diabetes Insipidus Central: Diagnóstico e Manejo Pós-Cirurgia

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 66 anos, foi submetida à ressecção transesfenoidal de massa pituitária. Evolui no pós-operatório com sede intensa e poliúria. Após coleta de exames laboratoriais, constata-se sódio sérico = 152 mEq/L. Familiares relatam que a paciente apresentou leve confusão mental na última noite. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Para compensação clínica mais rápida, o tratamento inicial deve ser com solução salina a 3%.
  2. B) A osmolaridade urinária dessa paciente certamente encontra-se elevada.
  3. C) Com a administração de desmopressina, a osmoloridade urinária irá aumentar.
  4. D) O tratamento de escolha é a restrição hídrica.

Pérola Clínica

Pós-op. cirurgia pituitária + poliúria + hipernatremia → Diabetes Insipidus Central. Desmopressina ↑ osmolaridade urinária.

Resumo-Chave

A poliúria e hipernatremia após cirurgia pituitária sugerem diabetes insipidus central, uma condição onde há deficiência de ADH. A desmopressina, um análogo do ADH, é o tratamento de escolha, pois aumenta a reabsorção de água nos túbulos renais, elevando a osmolaridade urinária.

Contexto Educacional

O diabetes insipidus central (DIC) é uma condição caracterizada pela deficiência na produção ou liberação do hormônio antidiurético (ADH) pela neuro-hipófise. É uma complicação comum após cirurgias na região hipofisária, como a ressecção transesfenoidal, devido ao trauma ou edema da haste hipofisária. A incidência pode variar, mas é uma preocupação significativa no pós-operatório imediato e tardio. A fisiopatologia envolve a incapacidade de concentrar a urina devido à falta de ADH, resultando em poliúria de urina diluída e polidipsia compensatória. Se a ingestão de água for insuficiente, ocorre hipernatremia e desidratação. O diagnóstico é feito pela tríade de poliúria, polidipsia e osmolaridade urinária baixa (<300 mOsm/kg) com osmolaridade plasmática elevada (>295 mOsm/kg) e hipernatremia. O tratamento de escolha para o DIC é a reposição do ADH com desmopressina, que pode ser administrada por via oral, nasal ou parenteral. A desmopressina aumenta a reabsorção de água nos túbulos renais, reduzindo a poliúria e corrigindo a hipernatremia. A restrição hídrica é contraindicada, pois pode agravar a desidratação e a hipernatremia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do diabetes insipidus central?

Os principais sinais são poliúria (volume urinário > 3L/dia), polidipsia (sede intensa) e, em casos graves, hipernatremia e desidratação, que podem levar a confusão mental.

Por que a desmopressina é o tratamento de escolha para o diabetes insipidus central?

A desmopressina é um análogo sintético do hormônio antidiurético (ADH). Ela age nos receptores V2 renais, aumentando a reabsorção de água nos túbulos coletores e, consequentemente, elevando a osmolaridade urinária e diminuindo a poliúria.

Como diferenciar o diabetes insipidus central do nefrogênico?

No diabetes insipidus central, há deficiência de ADH, e o rim responde à desmopressina com aumento da osmolaridade urinária. No nefrogênico, o ADH está presente, mas o rim não responde, e a osmolaridade urinária não aumenta significativamente após desmopressina.

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