Diabetes Insipidus Central: Diagnóstico Pós-Neurocirurgia

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 20a, terceiro dia de pós operatório de craniectomia descompressiva por hematoma subdural, encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva, sedada, PA=124/78mmHg, FC=88bpm, T=36,2ºC. Diurese 24h=6.200mL, urina clara, creatinina=0,7mg/dL, ureia=32mg/dL, sódio=167mEq/L, potássio=4,1mEq/L. A ETIOLOGIA DO DISTÚRBIO HIDROELETROLÍTICO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Pós-neurocirurgia + poliúria + hipernatremia → suspeitar de Diabetes Insipidus Central.

Resumo-Chave

A poliúria excessiva com urina diluída e hipernatremia em paciente pós-neurocirurgia é altamente sugestiva de Diabetes Insipidus Central, uma complicação comum de lesões hipotalâmicas/hipofisárias. A deficiência de vasopressina leva à incapacidade de concentrar a urina.

Contexto Educacional

O Diabetes Insipidus Central (DIC) é uma condição caracterizada pela deficiência na produção ou liberação de vasopressina (hormônio antidiurético - ADH) pelo hipotálamo ou hipófise posterior. É uma complicação relativamente comum após neurocirurgias, traumatismos cranioencefálicos graves ou tumores cerebrais, com incidência variando de 10% a 20% em pacientes submetidos a cirurgias na região selar. O reconhecimento precoce é crucial para evitar desequilíbrios hidroeletrolíticos graves. A fisiopatologia do DIC envolve a incapacidade dos rins de concentrar a urina devido à ausência de ADH, resultando em poliúria intensa e urina diluída. Consequentemente, há perda excessiva de água livre, levando à hipernatremia se a ingestão hídrica não for adequada. O diagnóstico é baseado na tríade de poliúria, polidipsia e hipernatremia, com urina de baixa osmolalidade. A diferenciação de outras causas de poliúria, como a diurese osmótica, é feita pela avaliação da osmolalidade urinária e pela resposta ao teste com desmopressina. O tratamento do DIC consiste na reposição do hormônio vasopressina, geralmente com desmopressina (DDAVP), que pode ser administrada por via oral, nasal ou intravenosa. A monitorização rigorosa do balanço hídrico, eletrólitos séricos e osmolalidade urinária é fundamental para ajustar a dose e evitar complicações como hiponatremia ou hipernatremia persistente. A educação do paciente e da equipe sobre a condição é vital para o manejo a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do Diabetes Insipidus Central pós-neurocirurgia?

Os principais sinais são poliúria (diurese > 50 mL/kg/dia), polidipsia e hipernatremia. A urina é tipicamente muito diluída, com baixa osmolalidade.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de Diabetes Insipidus Central?

A conduta inicial envolve reposição hídrica para corrigir a hipernatremia e, após confirmação diagnóstica, iniciar desmopressina (DDAVP) para repor a vasopressina.

Como diferenciar Diabetes Insipidus Central de outras causas de poliúria?

O teste de privação hídrica e a dosagem de vasopressina são cruciais. A resposta à desmopressina, com aumento da osmolalidade urinária, é diagnóstica para o tipo central.

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