Diabetes Insipidus Central Pós-Cirurgia: Diagnóstico

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 56 anos, realizou cirurgia para exérese de craniofaringioma. Após a cirurgia, evoluiu com poliúria de sete litros por dia. Exames laboratoriais: hemograma dentro da normalidade, glicemia de jejum 80mg%, potássio de 4,2mmol/L, sódio de 151mmol/L, cálcio 9,0mg/dL, hormônios produzidos pela adenohipófise dentro da normalidade, bem como ureia e creatinina. Qual hipótese diagnóstica e que exames devem ser solicitados para confirmá-la?

Alternativas

  1. A) Diabetes insipidus, osmolalidades urinária e sérica
  2. B) Síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético, osmolalidades urinária e sérica
  3. C) Diabetes insipidus, teste oral de tolerância à glicose
  4. D) Diabetes mellitus, HbA1c e teste oral de tolerância à glicose
  5. E) Síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético, hormônio antidiurético

Pérola Clínica

Poliúria + hipernatremia pós-cirurgia hipofisária → Diabetes Insipidus central. Confirmar com osmolalidades urinária e sérica.

Resumo-Chave

A poliúria intensa com hipernatremia após cirurgia de craniofaringioma (que afeta a região hipotalâmico-hipofisária) é altamente sugestiva de Diabetes Insipidus central, devido à deficiência de ADH. A confirmação diagnóstica envolve a avaliação das osmolalidades urinária (baixa) e sérica (alta), refletindo a incapacidade de concentrar a urina.

Contexto Educacional

O craniofaringioma é um tumor benigno que se origina da bolsa de Rathke, localizado tipicamente na região suprasselar, próximo ao hipotálamo e à haste hipofisária. A cirurgia para sua exérese, embora curativa em muitos casos, pode levar a complicações significativas devido à proximidade com estruturas neuroendócrinas vitais. Uma das complicações mais comuns e importantes é o desenvolvimento de Diabetes Insipidus (DI). O Diabetes Insipidus central ocorre devido à deficiência na produção ou liberação do hormônio antidiurético (ADH), também conhecido como vasopressina, que é sintetizado no hipotálamo e armazenado na neuro-hipófise. A lesão dessas estruturas durante a cirurgia pode comprometer a função do ADH, resultando na incapacidade dos rins de concentrar a urina. Clinicamente, isso se manifesta por poliúria intensa (produção de grandes volumes de urina diluída) e polidipsia (sede excessiva). No caso do paciente de 56 anos com poliúria de sete litros por dia e sódio sérico de 151 mmol/L após cirurgia de craniofaringioma, a hipótese diagnóstica mais provável é Diabetes Insipidus central. Para confirmar, os exames essenciais são a osmolalidade urinária (que estará baixa, indicando urina diluída) e a osmolalidade sérica (que estará alta, refletindo a desidratação e hipernatremia). A diferenciação de outras causas de poliúria, como Diabetes Mellitus (excluído pela glicemia normal) ou SIADH (que cursa com hiponatremia e urina concentrada), é crucial para o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia do Diabetes Insipidus central após cirurgia de craniofaringioma?

A cirurgia de craniofaringioma pode lesar o hipotálamo ou a neuro-hipófise, regiões responsáveis pela produção e liberação do hormônio antidiurético (ADH). A deficiência de ADH impede os rins de reabsorver água, resultando em poliúria e polidipsia.

Quais são os achados laboratoriais esperados em um paciente com Diabetes Insipidus central?

Os achados incluem poliúria (volume urinário > 3L/dia), osmolalidade urinária baixa (<300 mOsm/kg), densidade urinária baixa (<1.005), hipernatremia (>145 mmol/L) e osmolalidade sérica elevada (>295 mOsm/kg), na ausência de hiperglicemia.

Como diferenciar Diabetes Insipidus central de nefrogênico?

No teste de privação hídrica, ambos apresentam poliúria e incapacidade de concentrar a urina. A diferenciação ocorre após a administração de desmopressina (análogo do ADH): no DI central, há aumento significativo da osmolalidade urinária; no DI nefrogênico, a resposta é mínima ou ausente.

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