Diabetes Insipidus Pós-Cirurgia Hipofisária: Diagnóstico

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 52 anos, com antecedente de hipertensão e dislipidemia, encontra-se em seu segundo dia de internação após ressecção transesfenoidal de adenoma hipofisário. Ao checar seus exames séricos de rotina, nota-se Cr: 1,2 mg/dL; ureia: 40 mg/dL; sódio: 153 mEq/L; potássio: 3,5 mEq/L. Quais dados auxiliariam na confirmação da principal hipótese diagnóstica e seu tratamento?

Alternativas

  1. A) Redução do volume urinário associada a redução de ingesta hídrica, administração de fluidos endovenosos hipotônicos.
  2. B) Poliúria associada a osmolaridade urinária reduzida, administração de desmopressina.
  3. C) Polidipsia, poliúria, osmolaridade urinária reduzida, introdução de tiazídicos.
  4. D) Redução do volume urinário associada a redução de ingesta hídrica, reposição hídrica com cloreto de sódio 0,9%.

Pérola Clínica

Pós-op de hipófise + Poliúria + Hipernatremia → Diabetes Insipidus Central.

Resumo-Chave

A manipulação da haste hipofisária reduz a secreção de ADH, resultando em incapacidade de concentrar a urina (poliúria com baixa osmolaridade) e hipernatremia por perda de água livre.

Contexto Educacional

O Diabetes Insipidus (DI) central é uma complicação frequente após neurocirurgias na região selar e supraselar. A fisiopatologia envolve a deficiência de arginina-vasopressina (ADH), levando à excreção de grandes volumes de urina diluída. O diagnóstico é sugerido por hipernatremia associada a poliúria e baixa densidade/osmolaridade urinária. O tratamento de escolha é a reposição de ADH com desmopressina (DDAVP), além da reposição de água livre.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar Diabetes Insipidus Central de Nefrogênico?

O teste da desmopressina (DDAVP) é o padrão-ouro. No DI central, a administração de DDAVP resulta em um aumento significativo da osmolaridade urinária (>50%), pois o problema é a falta de produção de ADH. No DI nefrogênico, os rins não respondem ao ADH, logo a osmolaridade urinária permanece baixa mesmo após a administração do análogo sintético.

Qual a tríade clássica do Diabetes Insipidus?

A tríade clínica é composta por poliúria (volume urinário > 3L/24h ou > 40-50 ml/kg/dia), polidipsia compensatória e urina diluída (osmolaridade urinária < 300 mOsm/kg). Em contextos hospitalares, a hipernatremia surge quando o paciente não consegue compensar a perda hídrica pela ingestão oral.

Por que ocorre a resposta trifásica após cirurgia de hipófise?

A resposta trifásica envolve: 1) Fase inicial de DI (choque axonal e cessação de ADH); 2) Fase de SIADH (liberação de ADH estocado pelos neurônios degenerados); 3) Fase de DI permanente (exaustão dos estoques e morte neuronal). É crucial monitorar o sódio diariamente no pós-operatório para ajustar o manejo hídrico.

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