Diabetes Insipidus Central: Diagnóstico e Tratamento

UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 65 anos, deu entrada na emergência com quadro de sonolência e desorientação. De comorbidades, portador de câncer de pulmão diagnosticado recentemente. Nega uso de medicamentos. Ao exame: PA=120/80 mmHg; FC=72 bpm; FR=21 irpm; T=36,7º. Exames laboratoriais: Gicose=80 mg/dl; Uréia=20 mg/dl; creatinina=0,8 mg/dl; sódio sérico=120 mEq/L; potássio=4,1 mEq/L. TC de crânio normal. Assinale a alternativa que mais provavelmente corresponde ao diagnóstico desta complicação e a respectiva conduta terapêutica:

Alternativas

  1. A) Diabetes insipidus central. Solução salina a 3%.
  2. B) Diabetes insipidus central. Solução salina a 0,45%.
  3. C) Síndrome cerebral perdedora de sal. Solução salina 0,9%.
  4. D) Secreção inapropriada de ADH. Solução salina a 3%.
  5. E) Secreção inapropriada de ADH. Solução salina 0,9%.

Pérola Clínica

Diabetes insipidus central → deficiência de ADH → poliúria e hipernatremia. Solução salina 3% para hiponatremia grave sintomática.

Resumo-Chave

Embora o gabarito indique Diabetes Insipidus Central, que classicamente causa hipernatremia devido à deficiência de ADH, a questão apresenta hiponatremia grave (Na=120 mEq/L) com sintomas neurológicos. A solução salina a 3% é a conduta para corrigir rapidamente a hiponatremia sintomática, independentemente da etiologia.

Contexto Educacional

O Diabetes Insipidus Central (DI Central) é uma condição caracterizada pela deficiência na produção ou liberação de hormônio antidiurético (ADH) pela neuro-hipófise. Essa deficiência leva à incapacidade dos rins de concentrar a urina, resultando em poliúria intensa (produção de grandes volumes de urina diluída) e polidipsia compensatória. Se a ingestão de água for inadequada, o paciente pode desenvolver hipernatremia e desidratação grave. A etiologia do DI Central pode ser idiopática, pós-traumática, pós-cirúrgica (especialmente após cirurgias hipofisárias), ou associada a tumores cerebrais, doenças infiltrativas ou infecções. O diagnóstico diferencial com polidipsia primária e diabetes insipidus nefrogênico é crucial e geralmente envolve o teste de privação hídrica e a resposta à desmopressina. A presença de um tumor de pulmão, como no caso, pode estar associada a metástases cerebrais que afetam a hipófise, embora a hiponatremia apresentada na questão seja mais sugestiva de SIADH. O tratamento do DI Central consiste na reposição do ADH com desmopressina (DDAVP), um análogo sintético do ADH, que reduz a poliúria e a polidipsia. A solução salina a 3% mencionada na alternativa é uma conduta para correção rápida de hiponatremia grave sintomática, uma condição oposta ao DI Central. Residentes devem estar atentos à fisiopatologia e ao manejo correto dos distúrbios do ADH, reconhecendo as diferenças entre DI e SIADH.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos do Diabetes Insipidus Central?

Os sintomas clássicos incluem poliúria (produção excessiva de urina diluída), polidipsia (sede intensa) e, se a ingestão de água for insuficiente, hipernatremia e desidratação.

Como é feito o diagnóstico de Diabetes Insipidus Central?

O diagnóstico envolve o teste de privação hídrica, que demonstra a incapacidade de concentrar a urina, e a dosagem de ADH ou resposta à desmopressina para diferenciar entre DI central e nefrogênico.

Qual o tratamento para Diabetes Insipidus Central?

O tratamento principal é a reposição de ADH com desmopressina (DDAVP), que pode ser administrada por via oral, nasal ou injetável, para reduzir a poliúria e a polidipsia.

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