UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 36 anos está internado por cirurgia transesfenoidal para remoção de adenoma hipofisário. No 2o dia de pós-operatório, ele refere sede e poliúria. Nesse contexto, os achados compatíveis com a principal hipótese diagnóstica são:
Poliúria pós-op hipofisária + Osm plasmática ↑ + Osm urinária ↓ = Diabetes Insipidus Central.
O DI central é uma complicação comum após manipulação da hipófise, resultando em deficiência de ADH, o que gera diurese aquosa maciça (>300mL/h) e aumento da osmolaridade plasmática.
O Diabetes Insipidus (DI) central após cirurgia transesfenoidal ocorre devido ao trauma cirúrgico no eixo hipotálamo-hipofisário, interrompendo o transporte ou liberação de vasopressina (ADH). Clinicamente, manifesta-se por sede intensa e poliúria aquosa. É fundamental monitorar o balanço hídrico e eletrólitos de hora em hora no pós-operatório imediato. A fisiopatologia envolve a perda da capacidade renal de concentrar a urina, resultando em uma urina diluída apesar da hiperosmolaridade plasmática. O reconhecimento precoce evita complicações neurológicas decorrentes da hipernatremia grave. O padrão de resposta pode ser transitório, permanente ou triofásico (DI inicial, seguido de SIADH e, por fim, DI permanente).
O diagnóstico baseia-se na presença de poliúria persistente (geralmente >300 mL/h por 2-3 horas consecutivas ou >3 L em 24h), densidade urinária baixa (<1.005) e osmolaridade urinária reduzida (<300 mOsm/kg), frequentemente acompanhadas de aumento da osmolaridade plasmática (>295 mOsm/kg) e sódio sérico elevado.
No DI central, há uma deficiência na produção ou liberação de ADH pela neuro-hipófise. No DI nefrogênico, a produção de ADH é normal, mas os rins são resistentes à sua ação. O teste da desmopressina (DDAVP) ajuda a diferenciar: o central responde com concentração urinária, o nefrogênico não.
O manejo envolve a reposição hídrica rigorosa para compensar as perdas urinárias e evitar a desidratação grave. Se a poliúria for excessiva e o paciente estiver consciente, a ingestão oral pode bastar. Em casos graves ou persistentes, utiliza-se a desmopressina (DDAVP) por via parenteral, nasal ou oral.
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