Diabetes Hospitalizado: Manejo Glicêmico Seguro

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Conforme a literatura atual sobre o cuidado seguro e adequado para um paciente diabético hospitalizado, com o uso prévio de insulina no domicílio, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A avaliação do controle glicêmico com uso de hemoglobina glicosada deve ser evitada.
  2. B) Para o controle dos episódios de hiperglicemia deve ser utilizada a glicemia capilar e a correção conforme glicemia (sliding scale).
  3. C) Os anti-hiperglicemiantes orais devem ser mantidos durante o internamento, em especial a metformina, por melhorar a mortalidade.
  4. D) A glicemia capilar deve ser utilizada como referencial para decisão sobre o uso de insulina basal correcional.
  5. E) A insulina de longa duração deve ser evitada, independente dos valores da glicemia, pois isso, habitualmente, para hipoglicemia.

Pérola Clínica

Diabético hospitalizado: glicemia capilar guia insulina basal/correcional; evitar sliding scale isolada; manter basal; suspender metformina.

Resumo-Chave

Em pacientes diabéticos hospitalizados, a glicemia capilar é fundamental para guiar a administração de insulina, tanto basal quanto as doses de correção. O uso isolado de "sliding scale" (insulina de correção apenas) é desaconselhado, pois não oferece controle basal adequado e aumenta o risco de hiperglicemia e hipoglicemia. Anti-hiperglicemiantes orais, especialmente metformina, são geralmente suspensos no hospital devido a riscos como acidose lática ou insuficiência renal.

Contexto Educacional

O manejo do diabetes em pacientes hospitalizados é um desafio clínico significativo, pois a hiperglicemia hospitalar está associada a piores desfechos, incluindo aumento da mortalidade, infecções e tempo de internação prolongado. A epidemiologia mostra que uma parcela considerável de pacientes internados apresenta hiperglicemia, seja por diabetes pré-existente ou por estresse metabólico agudo. O controle glicêmico rigoroso, mas seguro, é fundamental para otimizar o prognóstico. A fisiopatologia da hiperglicemia hospitalar envolve o estresse fisiológico (liberação de hormônios contrarreguladores), uso de medicamentos (corticosteroides) e alterações na dieta. O diagnóstico e monitoramento são feitos principalmente pela glicemia capilar. A avaliação da hemoglobina glicada (HbA1c) é útil para entender o controle glicêmico prévio, mas não para decisões diárias de insulina. A maioria dos anti-hiperglicemiantes orais, como a metformina, é suspensa devido a riscos como acidose lática ou hipoglicemia. O tratamento da hiperglicemia hospitalar geralmente envolve insulina, sendo o regime basal-bolus o mais recomendado. A insulina basal (de longa duração) cobre as necessidades metabólicas contínuas, enquanto a insulina prandial e a de correção (sliding scale) são usadas para refeições e hiperglicemia. A glicemia capilar é o referencial para ajustar as doses. O prognóstico melhora significativamente com um controle glicêmico adequado, evitando tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia. Residentes devem dominar essas estratégias para garantir a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que a metformina é geralmente suspensa durante a internação?

A metformina é suspensa devido ao risco aumentado de acidose lática em situações de instabilidade hemodinâmica, insuficiência renal aguda ou uso de contraste iodado, condições comuns em pacientes hospitalizados.

Qual a desvantagem do uso exclusivo da 'sliding scale' de insulina?

O uso exclusivo da 'sliding scale' é reativo, tratando a hiperglicemia apenas após sua ocorrência, sem fornecer cobertura basal. Isso leva a maior variabilidade glicêmica, mais episódios de hiperglicemia e hipoglicemia.

Qual o regime de insulina preferencial para diabéticos hospitalizados?

O regime basal-bolus (insulina basal para cobrir as necessidades metabólicas e insulina prandial/correcional para refeições e hiperglicemia) é o preferencial para a maioria dos pacientes diabéticos hospitalizados.

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