Gestante: Diabetes Descompensado e Suspeita de COVID-19

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 32a, G2P1A0, idade gestacional de 30 semanas e 2 dias, queixa-se de cefaleia, coriza, dor de garganta e tosse há 3 dias. Nega náuseas, vômitos, febre e contato com pessoas com covid-19. Antecedentes Pessoais: hipertensão arterial crônica, diabetes gestacional controlado com dieta e covid-19 há 5 meses. Medicamentos em uso: sulfato ferroso, carbonato de cálcio 1g/dia, AAS 100mg/dia, metildopa 1g/dia. Recebeu vacina contra covid-19 Pfizer® há 2 meses. Exame físico: IMC= 38Kg/m²; PA= 109x76 mmHg; T= 37,8°C; FR= 26 ipm; FC= 109 bpm, oximetria de pulso (ar ambiente)= 97%. Realizou perfil glicêmico há 6 dias: jejum= 134 mg/dL, pós café= 163mg/dL, pós-almoço= 220 mg/dL e pós-jantar=188mg/dL. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Internar para introdução de insulina; realizar RT-PCR covid-19 e isolamento respiratório.
  2. B) Introduzir insulina e seguimento ambulatorial; descartada covid-19 pelo antecedente de infecção prévia e vacinação.
  3. C) Internar para introdução de insulina; sem necessidade isolamento respiratório.
  4. D) Orientar dieta para diabético, realizar RT-PCR covid-19 e isolamento domiciliar.

Pérola Clínica

Gestante com DM gestacional descompensado + sintomas respiratórios + febre → Internação, insulina, RT-PCR COVID-19, isolamento.

Resumo-Chave

Uma gestante com diabetes gestacional descompensado (glicemias elevadas), sintomas respiratórios (mesmo leves e sem febre alta), e histórico de HAS crônica e obesidade (IMC 38) apresenta múltiplos fatores de risco. A conduta deve ser agressiva: internação para controle glicêmico com insulina e investigação de COVID-19 com isolamento, apesar de vacinação e infecção prévia.

Contexto Educacional

A gestação é um período de importantes adaptações fisiológicas, e a presença de comorbidades como hipertensão arterial crônica e diabetes gestacional (DMG) exige manejo rigoroso. No caso apresentado, a paciente, com 30 semanas de gestação, apresenta DMG descompensado (glicemias elevadas apesar da dieta) e sintomas respiratórios inespecíficos, além de obesidade (IMC 38) e HAS crônica. Esses fatores a colocam em alto risco para complicações maternas e fetais. A descompensação do diabetes gestacional, evidenciada pelo perfil glicêmico, requer intervenção imediata. A introdução de insulina é frequentemente necessária quando a dieta e o exercício não são suficientes para atingir as metas glicêmicas. A internação permite um ajuste mais rápido e seguro das doses de insulina, além de um monitoramento mais próximo da mãe e do feto. Adicionalmente, a presença de sintomas respiratórios, mesmo que leves e sem febre alta, em uma gestante com comorbidades, exige a investigação de COVID-19. Apesar do histórico de infecção prévia e vacinação, a possibilidade de reinfecção ou infecção por uma nova variante não pode ser descartada, e gestantes são consideradas grupo de risco para formas mais graves da doença. Portanto, a realização de RT-PCR e o isolamento respiratório são medidas prudentes para proteger a paciente, a equipe de saúde e outros pacientes.

Perguntas Frequentes

Quando uma gestante com diabetes gestacional deve ser internada?

Uma gestante com diabetes gestacional deve ser internada quando há descompensação glicêmica persistente, apesar das medidas ambulatoriais, ou quando há comorbidades ou complicações que exigem monitoramento intensivo e ajuste terapêutico, como no caso de glicemias elevadas e sintomas respiratórios.

Por que é importante realizar RT-PCR para COVID-19 em gestantes com sintomas respiratórios, mesmo vacinadas ou com infecção prévia?

É crucial realizar RT-PCR para COVID-19 em gestantes com sintomas respiratórios, pois a vacinação e infecção prévia não eliminam completamente o risco de reinfecção ou infecção por novas variantes. Gestantes são um grupo de risco para formas graves da doença, e o diagnóstico precoce é vital para o manejo adequado e prevenção de transmissão.

Qual a importância do controle glicêmico rigoroso na gestação?

O controle glicêmico rigoroso na gestação é fundamental para prevenir complicações maternas e fetais, como macrossomia, hipoglicemia neonatal, pré-eclâmpsia, parto prematuro e malformações congênitas. Glicemias elevadas, mesmo que não extremas, aumentam esses riscos.

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