FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
AMS, 34 anos, veio à consulta pré-natal trazendo exame de glicemia de jejum = 120mg/dl, aferido na 16ª semana de idade gestacional. Pesoude 80 Kg e relataque a média de peso pré-gravídico era de ± 70 Kg. Altura: 1,65m. Hist Fam Mãe diabética, tia hipertensa. Gesta III para II. Refere parto normal há 2 anos com recém-nato pesando 4.050g. Ao exame obstétrico: FU = 17cm. BCF: +. Diante desse caso, qual a complicação não deveria ser esperada?
DMG → Polidramnia é esperada; Oligodramnia NÃO é complicação direta do diabetes.
A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para diabetes gestacional e uma glicemia de jejum alterada. O diabetes gestacional está classicamente associado a polidramnia devido à poliúria fetal osmótica, não a oligodramnia. As outras complicações listadas são esperadas em casos de diabetes gestacional mal controlado.
O diabetes gestacional (DMG) é uma condição comum que afeta aproximadamente 10-20% das gestações no Brasil, sendo crucial seu diagnóstico e manejo adequados para prevenir desfechos adversos maternos e fetais. É definido como qualquer grau de intolerância à glicose que se inicia ou é diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez. Fatores de risco incluem idade materna avançada, obesidade, história familiar de diabetes, macrossomia em gestação anterior e síndrome dos ovários policísticos. O diagnóstico precoce é fundamental, geralmente realizado no primeiro trimestre com glicemia de jejum ou entre 24-28 semanas com o teste de tolerância à glicose oral. Complicações maternas incluem pré-eclâmpsia, parto prematuro e aumento do risco de diabetes tipo 2 pós-parto. Para o feto, as complicações são variadas e graves, como macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, policitemia, síndrome do desconforto respiratório e, em casos de diabetes pré-gestacional ou DMG muito precoce e descontrolado, malformações congênitas. A polidramnia, e não a oligodramnia, é uma complicação esperada devido à poliúria fetal osmótica. O tratamento envolve dieta, exercícios e, se necessário, insulinoterapia. O controle glicêmico rigoroso é essencial para minimizar as complicações. A compreensão das complicações esperadas e não esperadas é vital para o raciocínio clínico e a tomada de decisão no pré-natal, especialmente em cenários de prova de residência médica.
O diagnóstico de diabetes gestacional pode ser feito com glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL no primeiro trimestre, ou através do teste de tolerância à glicose oral (TTGO) entre 24-28 semanas, com valores alterados em pelo menos um ponto (jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153 mg/dL).
A oligodramnia não é uma complicação direta do diabetes gestacional. Na verdade, o diabetes gestacional descompensado está associado à polidramnia, devido à hiperglicemia fetal que leva à poliúria osmótica e aumento do volume de líquido amniótico.
As principais complicações fetais incluem macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, policitemia, síndrome do desconforto respiratório, malformações congênitas (se diabetes pré-gestacional) e distócia de ombro durante o parto.
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