Diabetes Gestacional: Diagnóstico e Manejo Inicial

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta de 36 anos, inicia o pré-natal com 25 semanas na UBS e são solicitados exames de rastreamento de risco da gestação. Após 3 semanas retorna com o seguinte exame de teste de tolerância oral à glicose com 75 g: Jejum 91 mg/dL; 1ª hora 179 mg/dL; 2ª hora 159 mg/dL Assinale a alternativa correta com o diagnóstico e conduta inicial.

Alternativas

  1. A) Diabetes gestacional. Introdução de atividade física e dieta composta por 30 a 40% de proteínas.
  2. B) Diabetes mellitus pré-gestacional. Introdução de hipoglicemiante oral e dieta composta por 30 a 40% de proteínas.
  3. C) Diabetes gestacional. Introdução de dieta fracionada de acordo com IMC e introdução de atividade física.
  4. D) Diabetes mellitus pré-gestacional. Introdução de dieta fracionada de acordo com IMC e insulina com controle de glicemia capilar.

Pérola Clínica

DG: Jejum ≥92, 1h ≥180, 2h ≥153. Um valor alterado já diagnostica.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Diabetes Gestacional (DG) é feito quando pelo menos um dos valores do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TTOG) com 75g é igual ou superior aos pontos de corte (Jejum ≥ 92 mg/dL, 1h ≥ 180 mg/dL, 2h ≥ 153 mg/dL). A paciente apresenta 1h = 179 mg/dL e 2h = 159 mg/dL, sendo o valor de 2h alterado. A conduta inicial para DG é sempre a modificação do estilo de vida, com dieta fracionada e atividade física.

Contexto Educacional

O Diabetes Gestacional (DG) é uma condição de intolerância à glicose que surge ou é diagnosticada pela primeira vez durante a gestação. É uma das complicações médicas mais comuns da gravidez, afetando cerca de 10% a 20% das gestações no Brasil. Sua importância reside nos riscos aumentados de complicações maternas (pré-eclâmpsia, parto prematuro, cesariana) e fetais (macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, distúrbios respiratórios e maior risco de obesidade/diabetes tipo 2 na vida adulta). A fisiopatologia do DG envolve a resistência à insulina, principalmente devido aos hormônios placentários (lactogênio placentário, progesterona, cortisol, prolactina), que aumentam a demanda por insulina. O diagnóstico é feito através do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TTOG) com 75g, realizado entre 24 e 28 semanas de gestação. Os pontos de corte são: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL e 2 horas ≥ 153 mg/dL. A alteração de apenas um desses valores já é suficiente para o diagnóstico. A conduta inicial para o DG é a terapia nutricional e a prática de atividade física regular, adaptadas às necessidades individuais da gestante e seu IMC. A dieta deve ser fracionada, com controle de carboidratos complexos e ingestão adequada de proteínas e gorduras saudáveis. A atividade física, se não houver contraindicações, melhora a sensibilidade à insulina. Se as metas glicêmicas não forem atingidas com as mudanças no estilo de vida em 1-2 semanas, a insulinoterapia deve ser iniciada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para diabetes gestacional pelo TTOG 75g?

Os critérios diagnósticos para diabetes gestacional pelo TTOG 75g são: glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL, glicemia de 1 hora ≥ 180 mg/dL ou glicemia de 2 horas ≥ 153 mg/dL. A alteração de apenas um desses valores já é suficiente para o diagnóstico.

Qual a conduta inicial para uma gestante diagnosticada com diabetes gestacional?

A conduta inicial para diabetes gestacional é sempre a modificação do estilo de vida, que inclui a introdução de uma dieta fracionada e individualizada, adaptada ao IMC da paciente, e a prática regular de atividade física, desde que não haja contraindicações obstétricas.

Quando o rastreamento para diabetes gestacional deve ser realizado?

O rastreamento para diabetes gestacional é geralmente realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação em todas as gestantes que não possuem diagnóstico prévio de diabetes. Em gestantes com alto risco, pode ser realizado mais precocemente.

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