UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
Em relação ao diagnóstico diabetes gestacional, considerando uma paciente com glicemia de jejum menor que 92 mg/dL no primeiro trimestre, quando se deve realizar a curva glicêmica e qual resultado é considerado normal, respectivamente?
Rastreamento DG: TOTG 75g entre 24-28 semanas. Valores normais: jejum <92, 1h <180, 2h <153 mg/dL.
O rastreamento universal para diabetes gestacional (DG) é realizado entre 24 e 28 semanas de gestação com o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) 75g. Os valores de corte para diagnóstico de DG são: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL ou 2 horas ≥ 153 mg/dL. Um resultado normal exige que todos os valores estejam abaixo desses limites.
O diabetes gestacional (DG) é uma condição de intolerância à glicose que surge ou é diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez. É uma das complicações médicas mais comuns da gestação, com prevalência variável, mas crescente, impactando significativamente a saúde materno-fetal. O diagnóstico e manejo adequados são essenciais para prevenir desfechos adversos, como macrossomia fetal, pré-eclâmpsia, parto prematuro e hipoglicemia neonatal. A fisiopatologia do DG envolve a resistência à insulina, que é fisiologicamente aumentada na gravidez devido à ação de hormônios placentários (como o lactogênio placentário). Em algumas mulheres, o pâncreas não consegue compensar essa resistência aumentando a produção de insulina, levando à hiperglicemia. O rastreamento universal é recomendado para todas as gestantes, geralmente entre 24 e 28 semanas de gestação, utilizando o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g de glicose. Se a glicemia de jejum no primeiro trimestre já for ≥ 92 mg/dL, o diagnóstico de DG já pode ser feito, sem necessidade de TOTG. Os critérios diagnósticos para o TOTG 75g são baseados nos valores de glicemia de jejum, 1 hora e 2 horas após a ingestão da glicose. O diagnóstico de DG é estabelecido se um ou mais valores forem iguais ou superiores aos seguintes pontos de corte: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL, ou 2 horas ≥ 153 mg/dL. O tratamento envolve modificações dietéticas, exercícios físicos e, se necessário, insulinoterapia. O acompanhamento rigoroso da glicemia e do bem-estar fetal é fundamental para otimizar os resultados maternos e neonatais.
O rastreamento é crucial para identificar precocemente o diabetes gestacional, permitindo o manejo adequado para prevenir complicações maternas (pré-eclâmpsia, parto prematuro) e fetais (macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, distúrbios respiratórios).
Fatores de risco incluem idade materna avançada (>35 anos), obesidade, história familiar de diabetes tipo 2, história prévia de diabetes gestacional, macrossomia fetal em gestação anterior, síndrome dos ovários policísticos e etnia de alto risco.
Se apenas um dos três valores (jejum, 1h ou 2h) do TOTG 75g estiver igual ou acima do ponto de corte, o diagnóstico de diabetes gestacional é confirmado. Nesses casos, a paciente deve iniciar o acompanhamento e tratamento específicos para DG.
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