SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2025
Tereza, 24 anos, comparece a consulta com médica de família de sua unidade de saúde, com teste de gravidez positivo solicitado pela enfermeira da equipe, queixando-se de náuseas e vômitos matinais, além de discreta cefaleia, ocasionalmente. Conta que ficou surpresa com o resultado do exame, pois não havia planejado a gravidez, mas que a notícia foi bem-vinda para a família. Nega problemas de saúde na família e não faz uso de nenhuma medicação de forma regular. A médica de família fez perguntas quanto a possíveis fatores de risco gestacional e, ao examiná-la, verificou que a pressão arterial (PA) estava em 100/70 mmHg, o índice de massa corporal (IMC) 27,0 e, fundo uterino ainda não era palpável. Foram solicitados os exames laboratoriais de rotina previstos para o primeiro trimestre de gravidez. E prescreveu um antiemético para alívio dos sintomas relatados na consulta. A paciente teve dificuldade de retornar no dia em que sua consulta estava marcada; porém, com 20 semanas de atraso menstrual, retornou apresentando os exames solicitados, após realizar o exame físico que se apresentou sem alterações, os exames laboratoriais foram avaliados. Hemoglobina (Hb) 11,5; tipo sanguíneo A+; glicemia de jejum 91 mg/dL; exame de urina sem proteinúria, nitritos negativos, glicosúria negativa, hemoglobinúria negativa; urocultura com > 100.000 unidades formadoras de colônias (UFC); imunoglobulina M (IgM) não reagente e IgG reagente para toxoplasmose; VDRL 1:2; anti-HIV não reagente, antígeno de superfície para hepatite B (HbsAg) não reagente. Qual deverá ser a conduta da médica de família?
Glicemia jejum <92 mg/dL no 1º tri: Rastrear DG com TOTG 75g entre 24-28 semanas.
A glicemia de jejum de 91 mg/dL no primeiro trimestre está dentro da normalidade (critério de DG no 1º tri é ≥92 mg/dL). Portanto, a conduta correta é realizar o rastreamento universal para diabetes gestacional com o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 75g entre a 24ª e 28ª semana de gestação, conforme as diretrizes.
O pré-natal é um período crucial para a identificação e manejo de condições que podem afetar a saúde da gestante e do feto. O diabetes gestacional (DG) é uma dessas condições, definida como qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gravidez. Seu rastreamento e diagnóstico precoces são fundamentais para prevenir complicações maternas e perinatais. As diretrizes atuais recomendam o rastreamento de diabetes gestacional em dois momentos. No primeiro trimestre, uma glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL já é diagnóstica de DG. Se a glicemia de jejum for inferior a 92 mg/dL, como no caso da questão (91 mg/dL), a gestante deve ser submetida ao rastreamento universal com o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 75g. O TOTG de 75g é realizado entre a 24ª e 28ª semana de gestação e é o padrão-ouro para o diagnóstico de DG na maioria dos casos. A interpretação correta dos resultados e a conduta subsequente são vitais para o manejo adequado da gestação, minimizando os riscos de macrossomia fetal, hipoglicemia neonatal, pré-eclâmpsia e o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2 na mãe no futuro.
No primeiro trimestre, o diagnóstico de diabetes gestacional é feito se a glicemia de jejum for ≥ 92 mg/dL. Se for ≥ 126 mg/dL, é diabetes mellitus pré-existente.
O rastreamento universal é realizado entre a 24ª e 28ª semana de gestação com o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 75g, medindo a glicemia em jejum, 1 hora e 2 horas após a ingestão da glicose.
Para a mãe, riscos incluem pré-eclâmpsia, parto prematuro, infecções e maior risco de DM2 futuro. Para o feto, macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, síndrome do desconforto respiratório e maior risco de obesidade/DM2 na vida adulta.
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