HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2025
A administração precoce de dexametasona pode reduzir o risco de sequelas auditivas em casos de meningite por Haemophilus influenzae tipo B.
Meningite por Haemophilus influenzae tipo B → Dexametasona precoce reduz o risco de sequelas auditivas.
A dexametasona deve ser administrada antes ou junto com a primeira dose de antibiótico. Seu mecanismo envolve a supressão da resposta inflamatória no espaço subaracnóideo, diminuindo o edema e a lesão neuronal, especialmente do nervo auditivo.
A meningite bacteriana é uma infecção grave do sistema nervoso central com alta morbimortalidade, especialmente na população pediátrica. O Haemophilus influenzae tipo B (Hib) era um dos principais agentes antes da vacinação em massa, mas ainda ocorre em não vacinados ou em falha vacinal. Uma das sequelas mais temidas e comuns é a perda auditiva neurossensorial, que pode ser incapacitante. A fisiopatologia da lesão auditiva envolve uma intensa resposta inflamatória no espaço subaracnóideo após a lise bacteriana induzida por antibióticos. A liberação de componentes bacterianos desencadeia uma cascata de citocinas que leva ao edema, aumento da pressão intracraniana e lesão direta das estruturas do ouvido interno, como a cóclea e o nervo vestibulococlear. A dexametasona atua modulando essa resposta inflamatória, diminuindo a produção de citocinas e o influxo de leucócitos, o que protege as estruturas neurais. O tratamento da meningite por Hib é feito com cefalosporinas de terceira geração (ex: Ceftriaxona). O uso adjuvante de dexametasona é uma conduta estabelecida e crucial, devendo ser iniciada antes ou concomitantemente à primeira dose de antibiótico para máxima eficácia. Estudos demonstram uma redução significativa no risco de surdez e outras sequelas neurológicas com essa abordagem, reforçando sua importância na prática clínica.
Os sinais clássicos incluem febre alta, rigidez de nuca, vômitos em jato, irritabilidade e prostração. Em lactentes, o quadro pode ser mais sutil, com abaulamento de fontanela, hipoatividade e recusa alimentar.
A dexametasona (0,15 mg/kg/dose, 6/6h por 2-4 dias) deve ser administrada 15-20 minutos antes ou junto com a primeira dose do antibiótico. Se o agente etiológico não for H. influenzae ou S. pneumoniae, o corticoide pode ser suspenso.
As complicações incluem déficits neurológicos focais, hidrocefalia, convulsões, abscesso cerebral, ventriculite e, em casos graves, óbito. O acompanhamento neurológico e audiológico após a alta é fundamental.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo