MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma equipe de Saúde da Família, ao realizar o diagnóstico territorial de sua área de abrangência, identifica dois setores censitários com perfis socioeconômicos contrastantes. O Setor A é composto por famílias com alta escolaridade, acesso a saneamento básico integral e áreas verdes. O Setor B caracteriza-se por ocupações irregulares, baixa escolaridade, insegurança alimentar e precariedade no esgotamento sanitário. Ao analisar os dados epidemiológicos locais, o médico da equipe observa que a incidência de tuberculose e a mortalidade infantil são três vezes maiores no Setor B, mesmo que ambos os setores estejam à mesma distância geográfica da Unidade Básica de Saúde e possuam o mesmo número de visitas domiciliares por agentes comunitários. Com base nos conceitos de Determinantes Sociais da Saúde (DSS) e no modelo de Dahlgren e Whitehead, assinale a alternativa correta:
Iniquidade = diferença de saúde injusta e evitável decorrente de condições sociais distintas.
Enquanto desigualdades podem ser biológicas, iniquidades referem-se a disparidades evitáveis e injustas ligadas a fatores socioeconômicos e ambientais no modelo de Dahlgren e Whitehead.
O conceito de Determinantes Sociais da Saúde (DSS) é fundamental para a Saúde Coletiva e Medicina de Família. Ele reconhece que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas o resultado de como as pessoas nascem, crescem, vivem e trabalham. O modelo de Dahlgren e Whitehead é a representação visual mais utilizada para explicar como diferentes níveis de influência impactam o desfecho clínico. Na prática médica, identificar esses determinantes permite uma abordagem biopsicossocial. No caso apresentado, a diferença na incidência de tuberculose e mortalidade infantil entre os setores A e B, apesar do acesso igualitário à UBS, demonstra que o sistema de saúde sozinho não compensa as privações sociais estruturais, configurando uma iniquidade que exige intervenções intersetoriais.
Iniquidades em saúde são desigualdades que, além de sistemáticas e relevantes, são consideradas injustas e evitáveis. Elas não decorrem de escolhas individuais ou biologia, mas sim de estruturas sociais, econômicas e políticas que distribuem de forma desigual as oportunidades de saúde entre diferentes grupos populacionais.
Este modelo dispõe os determinantes sociais em camadas concêntricas. No centro estão os indivíduos (idade, sexo, genética). A segunda camada são os estilos de vida. A terceira são as redes sociais e comunitárias. A quarta engloba condições de vida e trabalho (habitação, saneamento, educação). A camada externa contém os macrodeterminantes econômicos, culturais e ambientais.
Determinantes proximais (microdeterminantes) estão mais próximos do indivíduo, como comportamentos e estilos de vida. Determinantes distais (macrodeterminantes) referem-se a fatores estruturais da sociedade, como políticas macroeconômicas e condições gerais de vida, que influenciam as camadas inferiores.
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