FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Em 1992, Dahlgren e Whitehead sistematizaram o conjunto de determinações do processo saúde/doença ou saúde/adoecimento a partir do paradigma da promoção da saúde e, no caso brasileiro, associada à perspectiva da mudança social e da redução das iniquidades. Considerando o caso de AJM, gênero masculino, ajudante de pedreiro, 65 anos de idade, recentemente diagnosticado com Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS, dentro da perspectiva dos determinantes sociais do processo saúde/doença e de acordo com as estratégias do Sistema Único de Saúde – SUS para o cuidado da pessoa com doença crônica, é correto afirmar que
Determinantes sociais da saúde → vulnerabilidade social agrava doenças crônicas como HAS.
O modelo de Dahlgren e Whitehead destaca que a saúde é influenciada por múltiplos níveis de determinantes sociais. A vulnerabilidade social, como a de um trabalhador idoso em profissão insalubre, expõe o indivíduo a condições que agravam doenças crônicas como a HAS, dificultando o acesso e a adesão ao tratamento.
Os determinantes sociais da saúde (DSS) são as condições em que as pessoas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem, e o conjunto mais amplo de forças e sistemas que moldam as condições da vida diária. O modelo de Dahlgren e Whitehead, de 1992, é amplamente utilizado para ilustrar as camadas de influência, desde fatores individuais até as condições socioeconômicas, culturais e ambientais. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) adota uma perspectiva de promoção da saúde e redução de iniquidades, buscando intervir nesses determinantes para melhorar a saúde da população. No caso de doenças crônicas como a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), a vulnerabilidade social de um indivíduo, como um ajudante de pedreiro idoso, pode exacerbar o processo saúde-doença. Condições de trabalho potencialmente insalubres, dificuldades de acesso a alimentos saudáveis (exposição a ultraprocessados), estresse ocupacional e barreiras no acesso aos serviços de saúde são exemplos de determinantes distais que agravam a condição clínica e dificultam o manejo adequado da HAS. Portanto, o cuidado da pessoa com doença crônica no SUS deve ir além da abordagem biomédica, incorporando a compreensão e a intervenção sobre os DSS. Isso implica em ações intersetoriais, políticas públicas que promovam equidade e um projeto terapêutico que considere a realidade social do paciente, buscando mitigar os impactos negativos da vulnerabilidade e fortalecer os fatores protetores.
Os determinantes sociais da saúde são as condições sociais em que as pessoas vivem e trabalham, que afetam sua saúde. O SUS, com seu princípio de equidade, busca abordar essas iniquidades, reconhecendo que a saúde não é apenas resultado de fatores biológicos, mas também sociais, econômicos e ambientais.
O modelo de Dahlgren e Whitehead organiza os determinantes em camadas, desde os fatores individuais (idade, sexo, genética) até os mais amplos (condições socioeconômicas, culturais e ambientais), mostrando como interagem para influenciar o processo saúde-doença.
Considerar a vulnerabilidade social é crucial para um cuidado integral, pois ela pode limitar o acesso a alimentos saudáveis, condições de moradia adequadas, serviços de saúde e informações, impactando diretamente a adesão ao tratamento e o prognóstico de doenças crônicas.
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