SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Sobre os determinantes sociais de saúde, leia as afirmativas abaixo: 1. Nas últimas décadas, observa-se um extraordinário avanço no estudo das relações entre a maneira como se organiza e se desenvolve uma determinada sociedade e a atuação de saúde de sua população. 2. O principal desafio dos estudos sobre as relações entre determinantes sociais e saúde consiste em estabelecer uma hierarquia de determinações entre os fatores mais gerais de natureza social, econômica, política e as mediações através das quais esses fatores incidem sobre a situação de saúde de grupos e pessoas, já que a relação de determinação não é uma simples relação direta de causa-efeito. 3. Os fatores comportamentais e de estilos de vida indicam que estes estão fortemente influenciados pelos determinantes sociais, pois é muito fácil mudar comportamentos de risco e mudar as normas culturais que os influenciam. 4. Os determinantes sociais são os fatores sociais, econômicos, culturais, étnico-raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco na população. Estão corretas:
Determinantes Sociais da Saúde (DSS) → Condições de vida e trabalho influenciam mais a saúde que fatores biológicos ou comportamentais isolados.
A afirmativa 3 está incorreta porque a mudança de comportamentos de risco (ex: tabagismo, sedentarismo) é complexa e fortemente influenciada por fatores sociais, econômicos e culturais, não sendo uma tarefa "fácil". Os DSS criam o contexto que pode facilitar ou dificultar escolhas saudáveis.
Os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) são as circunstâncias em que as pessoas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem, incluindo o sistema de saúde. Esses fatores são moldados pela distribuição de dinheiro, poder e recursos em níveis global, nacional e local, e são a principal causa das iniquidades em saúde – as diferenças injustas e evitáveis na situação de saúde observadas dentro e entre os países. O modelo de Dahlgren e Whitehead é uma ferramenta conceitual fundamental para entender os DSS. Ele os organiza em camadas de influência, começando pelo indivíduo no centro, seguido por estilos de vida, redes comunitárias e sociais, e, nas camadas mais externas, as condições de vida e trabalho e as condições socioeconômicas, culturais e ambientais gerais. Este modelo ajuda a visualizar como a saúde é produzida socialmente e não apenas biologicamente. Na prática clínica, especialmente na Atenção Primária à Saúde, a abordagem dos DSS é crucial. Reconhecer que fatores como baixa escolaridade, moradia inadequada ou insegurança alimentar impactam diretamente a adesão ao tratamento e o controle de doenças crônicas permite um cuidado mais integral e efetivo. A atuação do profissional de saúde transcende a prescrição, envolvendo a articulação com outros setores para promover a equidade e melhorar a saúde da população.
O modelo mais conhecido é o de Dahlgren e Whitehead, que organiza os DSS em camadas, desde os fatores individuais até os macrodeterminantes (condições socioeconômicas, culturais e ambientais). Outro modelo relevante é o da Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde da OMS.
Na APS, compreender os DSS permite ao médico de família e comunidade ir além da queixa clínica, abordando as causas das doenças. Isso envolve identificar vulnerabilidades sociais, como desemprego ou baixa escolaridade, e articular ações intersetoriais para promover a saúde.
Desigualdade refere-se a qualquer diferença na situação de saúde entre grupos populacionais. Iniquidade é um tipo específico de desigualdade que é injusta, evitável e sistemática, decorrente da distribuição desigual de poder, recursos e oportunidades na sociedade.
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