Determinantes Sociais de Saúde: Críticas ao Modelo da OMS

ICEPI - Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação (ES) — Prova 2022

Enunciado

Segundo BORGHI, OLIVEIRA e SEVALHO, sobre o modelo teórico de determinantes sociais de saúde associado a orientação da Organização Mundial de Saúde, analisar os itens abaixo: I. Nota-se que ""estilo de vida dos indivíduos"" aparece como determinante, sem que haja uma explanação clara de como ele se concatena com dimensões históricas e sociais. II. Percebe-se que sua centralidade não recai sobre coletividades, mas sim sobre indivíduos, destacando, como suas únicas características, idade, sexo (e não gênero) e fatores hereditários, sem menção a raça/etnia ou à maneira como essas particularidades transcendem a individualidade, na medida em que são significados de acordo com as experiências sociais. III. Ausência da nomeação da estrutura ou de classes sociais, mal substituídas por algo tão vago como ""condições sócioeconômicas, culturais e ambientais gerais"", ""condições de vida e de trabalho"" e ""redes sociais e comunitárias"". Está(ão) CORRETO(S):

Alternativas

  1. A) Somente os itens I e II.
  2. B) Todos os itens.
  3. C) Somente o item I.
  4. D) Somente o item II.
  5. E) Nenhum dos itens.

Pérola Clínica

Críticas ao DSS da OMS: foco individual, vagueza social, desconsidera raça/etnia e classes sociais.

Resumo-Chave

O modelo da OMS, embora importante, é criticado por focar excessivamente no indivíduo e em 'estilo de vida' sem aprofundar as raízes históricas e sociais, e por usar termos vagos que obscurecem a influência de classes e estruturas sociais na saúde.

Contexto Educacional

Os Determinantes Sociais de Saúde (DSS) são as condições sociais em que as pessoas nascem, vivem, trabalham e envelhecem, e que influenciam sua saúde. O modelo teórico da Organização Mundial de Saúde (OMS) é amplamente utilizado para compreender essas interações, mas não está isento de críticas, especialmente no campo da Saúde Coletiva. As críticas apontam para uma superficialidade na abordagem de aspectos cruciais. Primeiramente, o modelo tende a focar no 'estilo de vida dos indivíduos' sem uma clara articulação com as dimensões históricas e sociais mais amplas. Em segundo lugar, a centralidade recai sobre o indivíduo, destacando características como idade, sexo e fatores hereditários, mas negligenciando a raça/etnia e a forma como essas particularidades transcendem a individualidade, sendo significadas pelas experiências sociais. Por fim, há uma ausência da nomeação explícita de 'estrutura' ou 'classes sociais', substituídas por termos mais vagos como 'condições socioeconômicas, culturais e ambientais gerais'. Essa generalização pode obscurecer as raízes profundas das iniquidades em saúde, dificultando a formulação de políticas públicas que atuem sobre as causas estruturais das desigualdades. Compreender essas críticas é fundamental para uma análise mais aprofundada e para a proposição de intervenções mais eficazes em saúde pública.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais críticas ao modelo de Determinantes Sociais de Saúde da OMS?

As principais críticas incluem a individualização excessiva do 'estilo de vida', a falta de explanação sobre como ele se conecta a dimensões históricas e sociais, a centralidade no indivíduo sem considerar raça/etnia e a ausência de nomeação de estrutura ou classes sociais.

Por que a ausência de 'classes sociais' é uma crítica importante?

A ausência de 'classes sociais' e a substituição por termos vagos como 'condições socioeconômicas' são criticadas por mascarar as desigualdades estruturais e o poder que as classes sociais exercem sobre as condições de vida e saúde da população.

Como o modelo da OMS poderia ser aprimorado para abordar melhor as iniquidades em saúde?

O modelo poderia ser aprimorado ao integrar de forma mais explícita as dimensões históricas, culturais e políticas, reconhecendo a raça/etnia e o gênero como determinantes sociais cruciais, e nomeando as estruturas e classes sociais como elementos fundamentais na produção das iniquidades em saúde.

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