CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Em relação aos prismas, assinale a alternativa correta:
Desvio secundário (olho paralisado fixando) > Desvio primário (olho sadio fixando) devido à Lei de Hering.
Na paralisia muscular, o desvio secundário é maior que o primário. Para medir o desvio primário, o prisma deve ser colocado sobre o olho desviado (paralítico) enquanto o olho sadio fixa.
O uso de prismas na propedêutica do estrabismo é baseado em princípios ópticos e fisiológicos. Um prisma desvia a luz em direção à sua base, o que faz com que a imagem projetada na retina se desloque em direção ao seu ápice. No diagnóstico de paralisias oculomotoras, a incomitância (variação do ângulo de desvio conforme a posição do olhar ou o olho fixador) é a marca registrada. A Lei de Hering explica por que o desvio secundário excede o primário: o esforço inervacional para mover um músculo parético é transmitido integralmente ao olho contralateral. Além disso, o método de Krimsky utiliza prismas para centralizar os reflexos corneanos (Hirschberg) em pacientes com baixa visão ou supressão, onde o prisma é colocado à frente do olho fixador para mover o reflexo do olho desviado até a posição central.
O desvio primário ocorre quando o olho não afetado (sadio) está fixando o objeto, e o olho com o músculo paralisado desvia. O desvio secundário ocorre quando o olho afetado (com a paralisia) é forçado a fixar o objeto, resultando em um desvio muito maior no olho sadio. Essa diferença é fundamental para o diagnóstico de estrabismos incomitantes (paralíticos ou restritivos).
Isso ocorre devido à Lei de Hering da inervação igual. Quando o olho paralisado tenta fixar, o cérebro envia uma quantidade massiva de estímulo nervoso para o músculo paralisado tentar superar a fraqueza. Pela Lei de Hering, esse mesmo estímulo aumentado é enviado ao músculo sinergista contralateral do olho sadio, causando um desvio exagerado (hiperfunção aparente) desse olho.
Para medir o desvio primário, o paciente deve fixar com o olho sadio. O prisma é então posicionado na frente do olho desviado (o olho com o músculo paralítico) para neutralizar o desvio observado. O gabarito da questão reforça que, para medir o desvio primário, o prisma deve estar sobre o olho que contém o músculo paralítico enquanto o outro fixa.
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