Desproporção Cefalopélvica: Diagnóstico e Manejo Obstétrico

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Parturiente, após 6 horas de evolução apresentava colo pérvio para 8 cm, com 5 contrações de forte intensidade em 10 minutos e polo cefálico fetal com bossa ++, no plano +1 de DeLee. Qual o possível diagnóstico obstétrico e a conduta correta?

Alternativas

  1. A) Parada secundária de dilatação e uso de ocitocina.
  2. B) Distócia de rotação e emprego de ultrassom na sala de parto para confirmação do diagnóstico.
  3. C) Sindrome de Bandl-Frommel e utilização de misoprostol por via retal.
  4. D) Desproporção cefalopélvica e indicação de cesariana.

Pérola Clínica

Bossa ++ + colo 8cm + polo +1 DeLee + contrações fortes → DCP = Cesariana.

Resumo-Chave

A presença de bossa fetal significativa, mesmo com contrações uterinas eficazes e dilatação avançada, mas estacionada, sugere desproporção cefalopélvica. O polo fetal em +1 de DeLee com bossa indica que a cabeça fetal está impactada, não progredindo adequadamente, o que justifica a cesariana.

Contexto Educacional

A desproporção cefalopélvica (DCP) é uma condição obstétrica em que há uma incompatibilidade entre o tamanho da cabeça fetal e as dimensões da pelve materna, impedindo a progressão do trabalho de parto. Embora a pelve seja dinâmica, em alguns casos, a desproporção é absoluta ou relativa, levando à obstrução. É uma das principais causas de cesariana e sua identificação precoce é crucial para evitar complicações. O diagnóstico da DCP é clínico, baseado na avaliação da progressão do trabalho de parto. Sinais como parada da dilatação cervical ou da descida do polo fetal, apesar de contrações uterinas fortes e regulares, e a formação de bossa fetal ou bolsa serossanguínea, são indicativos. A avaliação do plano de DeLee e a palpação da cabeça fetal em relação à pelve também auxiliam. A ausência de progressão após um período adequado de trabalho de parto ativo, mesmo com ocitocina, reforça a suspeita. A conduta para a DCP é a cesariana. A tentativa de parto vaginal em casos de DCP confirmada pode resultar em sofrimento fetal agudo, rotura uterina, fístulas vesicovaginais ou retovaginais e outras morbidades maternas e fetais. É fundamental que o residente saiba diferenciar a DCP de outras distócias, como a inércia uterina, para aplicar a conduta correta e garantir a segurança da mãe e do bebê.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de desproporção cefalopélvica?

Os sinais incluem parada da dilatação cervical ou da descida do polo fetal, mesmo com contrações uterinas de boa qualidade, e a presença de bossa ou bolsa serossanguínea significativa no polo fetal.

Por que a bossa fetal é um indicativo importante na DCP?

A bossa fetal é um edema do couro cabeludo que se forma quando a cabeça fetal é submetida a pressão prolongada contra o colo uterino ou a pelve materna, sem conseguir progredir. Sua presença e intensidade sugerem obstrução.

Qual a conduta inicial para uma suspeita de desproporção cefalopélvica?

Diante da suspeita de DCP, a conduta é a indicação de cesariana, pois o parto vaginal não é seguro para a mãe nem para o feto, podendo levar a sofrimento fetal e complicações maternas graves.

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