UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Ao realizar toque vaginal em parturiente no período expulsivo, obstetra notou a presença de bossa e de cavalgamento dos ossos do crânio. Estes achados são mais frequentemente encontrados em qual situação?
Bossa + cavalgamento ossos crânio fetal no período expulsivo = Desproporção Cefalopélvica (DCP).
A presença de bossa serossanguínea e cavalgamento dos ossos do crânio fetal durante o trabalho de parto, especialmente no período expulsivo, são sinais clássicos de desproporção cefalopélvica (DCP), indicando que a cabeça fetal não consegue se adaptar adequadamente à pelve materna.
A desproporção cefalopélvica (DCP) é uma das principais causas de distocia no trabalho de parto, ocorrendo quando há uma inadequação entre o tamanho da cabeça fetal e as dimensões da pelve materna, impedindo a progressão do parto vaginal. É uma condição que exige reconhecimento e manejo adequados para evitar complicações maternas e fetais. Durante o trabalho de parto, especialmente no período expulsivo, a persistência da pressão sobre a cabeça fetal contra o canal de parto pode levar a sinais clínicos importantes. A bossa serossanguínea é um edema do couro cabeludo fetal, resultante da estase circulatória e extravasamento de líquido, que se forma na porção da cabeça que está apresentada. O cavalgamento dos ossos do crânio, por sua vez, é a sobreposição das suturas cranianas, um mecanismo de moldagem da cabeça fetal para tentar se adaptar ao canal de parto. A presença conjunta de bossa e cavalgamento, especialmente se progressivos e associados à falha de progressão do trabalho de parto, são fortes indicativos de DCP. Outros achados podem incluir a parada da dilatação cervical ou da descida da apresentação. O diagnóstico de DCP geralmente leva à indicação de cesariana, pois a tentativa de parto vaginal em um cenário de DCP pode resultar em sofrimento fetal, rotura uterina, fístulas vesicovaginais ou retovaginais e outras morbidades maternas e fetais.
DCP é a condição em que a cabeça fetal é muito grande ou a pelve materna é muito pequena ou de formato inadequado para permitir a passagem do feto pelo canal de parto, resultando em distocia.
Além da bossa serossanguínea e do cavalgamento dos ossos do crânio, pode-se notar a parada da progressão da apresentação fetal, dilatação cervical estacionária e ausência de descida da apresentação, mesmo com contrações uterinas eficazes.
Uma vez diagnosticada a DCP, a conduta é a interrupção do trabalho de parto por cesariana, pois o parto vaginal não é possível e pode levar a complicações maternas e fetais graves.
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