Identificação e Conduta na Desproporção Cefalopélvica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Uma primigesta com 38 semanas de gestação é admitida na Maternidade em trabalho de parto. O exame obstétrico inicial revela feto em situação longitudinal, apresentação cefálica, frequência cardíaca fetal = 140 bpm sem desacelerações; dinâmica uterina com 2 contrações moderadas em 10 minutos; colo uterino dilatado 4 cm e apagado 40%; pelvimetria interna clínica com conjugata diagonalis de 11 cm, medida do diâmetro bituberoso de 11 cm, espinhas isquiáticas não salientes. A amniorrexe foi espontânea aos 6 cm de dilatação. O padrão de contração uterina manteve-se com 4 contrações em 10 minutos e a paciente recebeu analgesia peridural. Após 12 horas de evolução do trabalho de parto, o exame obstétrico revelou: colo uterino com 10 cm de dilatação, feto com polo cefálico no plano –1 de De Lee e presença de bossa serossanguínea. Qual é a conduta obstétrica indicada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Iniciar ocitocina por via endovenosa.
  2. B) Indicar resolução do parto por cesárea.
  3. C) Aguardar evolução espontânea do período expulsivo.
  4. D) Abreviar o período expulsivo com fórceps ou vácuo-extrator.

Pérola Clínica

Dilatação total + Cabeça alta (-1) + Bossa + 12h evolução = Desproporção Cefalopélvica (DCP).

Resumo-Chave

A presença de dilatação total com o polo cefálico ainda em plano alto (-1 de De Lee) e formação de bossa serossanguínea indica que o feto não consegue atravessar a bacia materna, configurando distocia mecânica.

Contexto Educacional

A Desproporção Cefalopélvica (DCP) ocorre quando há uma disparidade entre o tamanho da cabeça fetal e a capacidade da pelve materna. Pode ser causada por um feto macrossômico, uma pelve materna estreita ou uma variedade de apresentações fetais anômalas (deflexões). O diagnóstico clínico é feito durante o partograma, observando-se a parada da descida ou da dilatação. No caso clínico apresentado, a paciente evoluiu por 12 horas, atingiu a dilatação total, mas o feto permaneceu em plano alto (-1). A presença de bossa confirma o esforço mecânico sem progressão. Nestas circunstâncias, a estimulação com ocitocina seria inútil e potencialmente perigosa (risco de rotura uterina), e o parto instrumental é proscrito pela altura da apresentação. A resolução por via alta (cesárea) é a conduta padrão-ouro para garantir a segurança do binômio.

Perguntas Frequentes

O que indica a presença de bossa serossanguínea no trabalho de parto?

A bossa serossanguínea é um edema do couro cabeludo fetal que ocorre devido à pressão exercida pelo colo uterino ou pelas paredes da pelve sobre a apresentação. Embora possa ocorrer em partos normais, sua presença marcante em um trabalho de parto que não progride, especialmente quando associada a cavalgamento de suturas cranianas, é um sinal clássico de desproporção cefalopélvica (DCP). Ela indica que houve esforço de descida sem sucesso, sugerindo que o diâmetro fetal é incompatível com o diâmetro pélvico materno naquele plano.

Por que o plano -1 de De Lee é crítico nesta questão?

Os planos de De Lee medem a descida da apresentação fetal em relação às espinhas isquiáticas (plano 0). O plano -1 indica que a maior parte da cabeça fetal ainda está acima das espinhas isquiáticas, ou seja, ainda não ocorreu o encaixe completo ou a descida para o estreito médio. Se a paciente já atingiu 10 cm de dilatação (período expulsivo) e, após 12 horas de evolução, o feto permanece no plano -1, há uma parada de descida. O uso de fórceps só é permitido em planos baixos (+2 ou mais), tornando a cesárea a única via segura.

Quais são os sinais clínicos de desproporção cefalopélvica?

Os principais sinais de DCP incluem: parada da progressão da dilatação ou da descida fetal apesar de boa dinâmica uterina; formação de bossa serossanguínea importante; cavalgamento dos ossos do crânio fetal (moldagem); e sinais de sofrimento materno ou exaustão. No exame físico, uma conjugata diagonalis curta (< 11,5 cm) ou espinhas isquiáticas proeminentes podem sugerir uma pelve não favorável, mas o diagnóstico definitivo de DCP é funcional, observado pela falha na evolução do trabalho de parto ativo.

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